sexta-feira, 26 de novembro de 2010

As revelações do Sétimo Selo


"O Sétimo Selo” de 1956 é um filme do sueco Ingmar Bergman que, aterroriza-nos e ao mesmo tempo nos deslumbra com seu enredo surrealista:


“Ao voltar das Cruzadas, um cavaleiro nórdico que já se aproximava de sua aldeia, depara-se com uma figura lúgubre e fúnebre: A Morte.


Obviamente, relutou e não achou justo aquele encontro bem no momento que vislumbrava os montes que cercavam sua propriedade, estando tão próximo de casa, de sua esposa e dos filhos que não viu crescerem.


Atacara e vencera os otomanos e retornava consciente de sua função que exercera tão utilmente às tropas que servira; praguejou, vociferou e relutava em partir com Ela.


Porém, encontrou uma solução momentânea num instante de profundo discernimento frente ao perigo.


Surge, de súbito, uma afirmação deveras relevante em sua cabeça: “O medo me inibe a liberdade, não devo senti-lo”


Chamou-a então, para uma partida de xadrez onde o vencedor determina o destino daquele dia.

Na verdade ele sabia que perderia, pois ninguém vence a Morte.


Todavia, sua intenção era viver mais aquela ultima batalha lúdica.

Fazer jogadas, gerar estratégias de movimentação, avanço e recuo construindo toda a tática pensada.

E a Morte, por sua vez aceita e a partida se inicia.


O que se passa então é a tentativa da movimentação plena, livre, sem receios ou temores.

Só assim, com audácia, é que pode se sentir o gosto saboroso da vitória, mesmo ela vindo de outras formas incompreensíveis para aquele iminente momento.

Ele, astuto, prepara o cheque-mate, mas a Morte o ludibria e consegue descobrir sua próxima movimentação: "o cavaleiro a atacaria pelos flancos."

Num contra-ataque sagaz, a Morte vence-o.


Na nossa vida, podemos usar isso como simbologia concreta.

Temos as Micro-partidas, aquelas que perfazem determinados períodos específicos e temos a Macro-partida, aquela que executamos diversas combinações, transitamos em meio às informações que podem ser descartadas ou não, utilizadas ou não durante toda uma Vida.


A Vida, então, é a aplicação na realidade dos conceitos formados no Espírito.

Somos vencedores, e sempre seremos.

E a auto-estima é o remédio para todos os males.


Confiança e sentimento de segurança quanto a probidade da Vida é nosso bordão e nosso cajado.

Sejamos lúdicos como as crianças e sejamos ávaros como os oceanos.


Certa vez, Paulo Leminski escreveu:



Um dia desses, quero ser um grande poeta inglês do século passado,


Dizer:


Oh céu, oh mar, oh clã, oh destino


Lutar na Índia em 1866


E sumir num naufrágio clandestino.

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