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sábado, 16 de outubro de 2010

Alegação do professor



Oh, caro aluno!


A maturidade de espírito


Virá progressivamente


Jamais de repente



Porque estás


Tão inquieto assim?


Até me pareces


Um potro sem capim



És moço, juvenil e consciente


Tente aprender o que lhe ensino


Ao invés de questionar-me e me induzir


Provando-me sem cessar


Todo o conhecimento que não pude armazenar



*Homenagem aos mestres e professores

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

No bar do Joaquim, com amigos beberiquei






I



Visitei a velha cidade empoeirada

Não era a mesma, abstraíra-se de mim

Cães famintos, transeuntes insanos, pedintes profanos




II



Todos me rodeavam, falastrões chafurdavam

Copo, deste lado, o término nunca existiu, enfim

Brindemos amigos, no bar do Joaquim!














*Homenagem aos amigos de boteco

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Miguelópolis Revisited




Há tempos perdemos a intimidade
Dessa cidade, conheço as ruas a dedo
Carrego comigo, seus medos, seu pó nas narinas
E da infância, reminiscências e alvitres nas retinas

Sinto falta da bicicleta, do Rio Grande, da bola e do rolimã
Do campinho do Sílvio, da Cohab, da casa 115
Frutas da época: carambola, goiaba vermelha, manga e romã
Saí muito jovem, ainda tinha a mente sã

A Matriz está lá, as velhas e seus escapulários
Defronte ao Bar do Joaquim, sem as árvores, o Santuário
Sua fonte e nos seus bancos ainda sentam corruptos e salafrários
Onde os jovens se encontram e verbalizam sem horário nem dicionário

O Estádio Waldemar de Freitas e suas falhas na grama
A esquina da Nenê não tem mais o pé de boldo nem a roseira
Poucos amigos restaram, besteira
Sou saudosista, que pieguice
Na Socremi, encontrava-me com a Inês, a Fernanda e a Clarisse

Passando pelas ruas retas e largas, olho para o céu a caminho da Marcenaria do Miguel
Ainda desvio dos ciclistas, dos cachorros e das carroças vou escapando
Logo ali, depois da Radio Vale, pelo Cartório do Sr Didi, passo acenando
Lá, algumas coisas nunca mudam, de rostos e lugares vou lembrando...
A loja da Dona Célia, a sorveteria do Florisvaldo, a Casa São José e o Bar do Zé Fernando

Estão todos imunes ao tempo, para minha saudade contemplar
Amigos de infância, fatos, mitos e insights em reentrâncias
Em verdade, com sinceridade, escute-me, vou falar:
Tenho corpo e labor em outro lugar
Mas, foi lá que meu coração nunca deixou de habitar