quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Entre professor...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O absurdo da existência humana

terça-feira, 16 de março de 2010
Abandone os livros, ler é perigoso
Se, atentamente puderes me ouvir:
Não leia, abandone os livros!
Eles poderão causar-lhe males irreversíveis
Pois, acordam os homens para realidades impossíveis
Lendo, tornei-me incapaz de suportar a insipidez do mundo
Por eles, fui induzido a cometer loucuras, fiz-me Quixote
Por sorte, teria morrido feliz e ignorante
Meti-me rumo afora, lutando sobre meu Rocinante
A realidade do cotidiano me fere com o preço do labor
Mas, adentrando-me numa biblioteca, descubro um novo sabor
Os livros provocam-me inesperados e limpos atalhos
Doravante, sem eles, tropeçaria em pedras e cascalhos
Nas histórias de Maugham, Wilde, Henry Miller e Calvino
Deixei de ser apenas átomos em movimento, descobri dimensões
Não me inclino ao absurdo, sou lúdico e ainda menino
Espírito diferente querendo aventuras e ignorando os desatinos
Ler traz problemas sociais graves, deixa-nos conscientes demais
Se todas as sociedades lessem, seria impossível controlá-las e organizá-las
Teríamos posição definida no mundo e saberíamos articular as variações
Melhor é ler apenas os manuais de instruções
Seríamos subversivos, não existiriam fronteiras nem prisões
Ler devia ser coisa singular, termo de grande valia
Não é para todos, só para os loucos
Para quem suporta dores, alegrias, inúmeras sensações, e esses são poucos
Ato obsceno ter um livro às mãos
Expõe as entranhas, torna o sentimento íntimo, coletivo
Para obedecermos não é necessário sabermos
Para sermos submissos não é preciso discernir
Por isso ler é perigoso, faz-nos demasiadamente humanos
Quando emanar essa vontade relute, trabalhe ou então, vá dormir
*Baseado em texto de Guiomar de Grammon
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
No tempo em que aceitávamos as delícias preparadas

I
Teu prazer me entendia, trazia-me paz
Na colheita anual de 73, perdemos a inocência, fez-se trégua
Éramos fortes, avançávamos em nome da existência fugaz
Degustávamos tintos secos com procedência
Amávamo-nos entre estranhos, sob o sol, entregamo-nos em essência
II
Como fidalgos, sentávamos à mesa com decência
Entreolhando-nos, aceitávamos as delícias preparadas
Tudo nela nos pertencia, as provávamos e sorríamos
Bebíamos o sangue, a carne fria e as iguarias, comíamos
Espalhávamos discursos que uma palavra esgotar-nos-ia

