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quinta-feira, 29 de abril de 2010

O absurdo da existência humana




Sou existencialista por inteiro
Imerso num mundo
Que não posso compreender
Interpretando um roteiro
De alienação e desespero
Tolerando absurdos



Mediando insultos
De uma juventude opressiva
Ilógica, injusta e contestadora
Quem se engana?
Aniquiladores de normas e regras
Alienadores da vontade humana



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Desde o século XX


I

Estou sempre na mesma estrada

Me chame como quiser, vou dormir agora

Lá estão eles, os fracassados



II

Não sou tão sincero assim

Usei as ferramentas que tinha em mãos

E me machuquei com elas



sexta-feira, 3 de julho de 2009

Na incursão de GH ao quarto da empregada, eis a barata




I


Quando Clarice, a barata, esmagara

Percebera suas vísceras, lhe apertara com asco

Ausência de perdão, anti-malogro



II


Na paixão, GH extinguira-se, sufoco

Sozinha no apartamento, se entregara ao constrangimento

Permanecera com seu ato, deflexão



III


Naquele quarto de empregada, fundos

Fluxo de consciência, permeara paixões, reafirmara questões

Não legara aquele ato, profusões






*Baseado em: "A Paixão segundo GH", um romance de Clarice Lispector (1964)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ah! Os relógios...



Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidos
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

*Mario Quintana: extraído de: "A Cor do Invisível"

Néscio, eu?



"...penso, logo desejo
Desejo, logo sinto
Sinto, logo faço
Faço, logo existo"













Cogito, ergum sum.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O portão e a ferrugem



Estava à minha frente, estático, friamente inanimado, ele: o portão.
Não era, ele, o principal meio de se adentrar ao ambiente, todavia era o portão.

Mais simbólico que utilizável, de pouca eficácia, tinha papel e função tanto quanto secundária, preso ao muro da parte oposta da casa na qual vivo e convivo.

Agora, numa noite amena, estupefato, aprecio pela janela, ele, o portão.
Metálico, com uma essência intríseca, como se originasse e representasse uma fortaleza, lá permanecia ele.
- Que fazes aí portão?
- Qual a sua verdadeira finalidade?
- Seria imprescindível sua presença nesse local, óh miserável e solitário portão?
Tudo isso me faz refletir se realmente necessitamos de certas peculiaridades para nosso bom convívio e funcionalidade em algum ambiente específico.
Seria eu, na vida, assim como o portão?
Qual minha verdadeira e real funcionalidade?
Tenho realmente necessidade de ser útil, sou útil pela natureza inerente ao meu ser ou simplesmente pela minha existência humana, quero e devo, me tornar útil?

Mas, útil a que?
Útil a quem?
A mim mesmo, aos seres ou ao planeta?
Quantas perguntas brotam de minha mente entorpecida por oxigênio sujo.
Quantas dúvidas emanam dentro de minha consciência corrompida e já não pudica em sua essência.
É como se as conscupisciências terrenas tivessem me degenerado, como a ferrugem degenera o metal do portão, sem que o mesmo tome alguma atitude por si.
Apenas observa e sente.

A ferrugem manifestada só poderá ser interrompida se algum ser ou substância atuar de forma direta no combate a oxidação que se prolifera vagarosamente e contínua, como um câncer atua no âmago dos corpos distraídos sem ser percebido notoriamente a tempo da busca de solução.
Ao nos darmos conta, quase sempre é tarde demais!

Estamos à mercê das intempéries do destino, da mesma forma que o portão à ferrugem?
Como poderemos, de alguma forma, alterar uma realidade que se faz presente, e nos gera incômodo, desconforto?
O que poderá fazer um portão diante de algo terrivelmente corrosivo à sua estrutura metálica?
E nós mortais efêmeros diante da imensidão do tempo e do espaço, o que poderemos efetuar para obtenção de êxito em nossos impasses cotidianos, infortúnios, patologias?

Se a oxidação vem do oxigênio, então também enferrujamos como o portão?
Fica a pergunta no ar. Ar que respiramos.

- Pensem, óh mortais racionais, pensem.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Existencialismo do dia:






O importante não é tanto o que fizeram comigo, mas o que eu faço com o que fizeram comigo.

(J.P. Sartre)