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quinta-feira, 1 de março de 2012

Heterônimos


"Subamos acima,
Subamos além
Acima do além, subamos"
(Vinícius de Moraes)




Dê ao autor novos livros
Outra alma erradia, axiomas
Temas múltiplos, distinta biografia


Faculta-lhe novas linhas
Antagonismos milimétricos
Demonstrações de teorias
Desobediência, outro olhar, heresia?


Incertezas ou irresoluções
Fazem-me hesitar, me trazem mutações
Sem convenções, num reflexo
Perplexo, observo Lou James, na sala de estar


Vigio as próprias ações, lendo-o
Não obstante, preservo confusões, sendo-o
Obsesso, atormentado, expresso dúvidas, tendo-o
Encanto-me e me hesito em preocupações, vendo-o


Com tenacidade, pelo espelho, desvio o leitor
Teimosia, obscuridade e existencialismo
Num efêmero pudor, Pessoa, Brecht e Quintana
Clarice, Sartre, Kafka entre pesadelos e muita dor


Pouco claro, sem nobreza puritana
Na caneta esferográfica mapeando a perda
Anulando as evidências herméticas
Enfraquecendo a luz com destreza cética


Espectador e testemunha que não tenta agradar
Rejeito o diagnóstico incerto do Doutor
Em letras, convenço-me e não me permito doar
Volto indisposto, para o desabrigo do meu lar
Outro foco, outra encenação e um defectível paladar


Obsedo e preocupo-me com o amor
Sou coagido pela própria intenção
Domínio do espírito, cárcere por afeição?
Comigo mesmo, mas não me permito
Em habitar essa física prisão


Salve-me obreira, dê-me a privação
Senão, tornar-me-ei profano por causa dos Românticos
Ceda-me seu tempo, mostre-me suas anotações
Apresente-me a obra perfeita, afasta-me o obscurantismo
Ainda estamos no primeiro dia do ano, enfraqueça-me o cinismo


Vício que aparenta virtude e faz-nos perder em sedução
Superficial, aprendo a nutrir um sentimento que não possuo
Fingimento, falsa devoção, altruísmo artificial?
Não, nenhum deles, só fraqueza aparente
Afinal, tentei ser crente, passei a conhecer o meu ponto de inserção
Ter fé e esperança e identificar a linha tênue entre o terreno e o sobrenatural

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Soneto da praia doce

"Amigos, óh amigos!
Tenhamos senso de honra...
Foi necessária nossa partida,
Mas, precisamos retornar."





Agora, o sol sobre os rastros finos
Além dele, outras, milhares de estrelas sobre
Os rastros, meu rastro deixado nessa estrada amarela
De cascalho, poeira, um cavalo miserável e o cachorro late...


... Quando a carroça passa, chicote ecoa, som de cascos, galope trôpego
Latidos, cascos, chicotadas, relinchos e o calor do sol, pedaladas
Ardem à tarde; trapos flutuam, suor escorre, sal, marrom e azul
Rumo ao rio, eu, a carroça, cavalo, esforço lento, exato; um buraco


Por ele, saem e observam-nos, uma família de corujas
Continuam a observar quem passa, quem rasteja, quem voa
Depois do córrego, subida; curva a esquerda, a carroça me ultrapassa


Bicicleta e cascalho não combinam; vou indo, depois da quase-reta, curva à esquerda, mata
No rio azul é lá que vou passar toda à tarde de terça-feira
Encontrar os amigos, sentar à beira; falar de alquimias e pintar quadros de flores vermelhas




*A Miguelópolis SP e sua prainha de água doce,
Presente do Rio Grande.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No dia onze entre vinte e nove fontes



     "I've got a feeling
                                                                  A feeling I can't hide"
                                                                             (The Beatles)



Novembro... Enquanto você tenta sorrir com a boca
Eu sorrio com os olhos
Para ti e para as outras vinte e nove fontes, sorrio


Nasci desse jeito, onírico
Não porque fui uma espécie de
Porém, equivalente à


E, percebo seus verdes  olhos cegos
Reverenciando-me, mentindo para mim de um jeito...
... Tão especial, como se criasse uma parceria


Entre...


Você foi uma garota muito má
E sedutora, minha musa fundamental
De mim, esconde a memória, os cabelos e os dados, na cartola


Nessa data repleta de números “um”, indiferente, me ignora
Mesmo sabendo que não duraremos para sempre, já estamos no século XXI
E o resto do mundo tenta ouvir The Beatles como os americanos em 1969


Crie um acontecimento midiático com esse fato
Celebre o encontro e deixe a resposta para os outros
Quando nos encontrarmos pelo caminho, dar-me-á carona?


Juntos, gastaremos todo o pagamento naquele show
Mas, só faremos as contas no caminho de volta para casa
Afinal, o importante são as memórias daquele dia inesquecível


Sob capas de chuvas, brindaremos e escreveremos cartas
Aos amigos, o Descobrimento do Brasil em 1993
Entre barcos, só por hoje, faremos um filme com todos vocês






*Homenagem aos álbuns “Let it Be” (1969), The Beatles e
 “O Descobrimento do Brasil” (1993), Legião Urbana.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O dia que não passou

Em frente ao computador, aquele homem não estava com a mínima vontade de expressar coisa alguma. Nem bebericar o café que há tempos esfriara.
Queria ir ao trabalho, vender suas cartas de crédito e seus consórcios habituais de carros, motos e imóveis.
Era alto, magro, pele pálida e lábios arroxeados como se acabasse de beber algum vinho tinto barato.
Corretor de consórcios e imóveis com registro no sindicato e no conselho regional. Mas, naquele dia não saiu de casa, ou melhor, não pode faze-lo como cotidianamente fazia.
Estava ilhado em seu próprio lar.
Nenhum contato com o mundo lá fora. Tudo estava hibernado e ocioso como uma paisagem lunar.
O homem tedioso olhava através de seu monitor 17’ enquanto navegava pelo Orkut em busca de comunidades exóticas e obcenas.
Pela TV o repórter de plantão dava suas mais recentes informações e dizia que mais um ônibus fora incendiado na zona sul.As autoridades municipais e estaduais das secretarias de segurança e transportes estavam reunidas na busca de soluções imediatas, mas pediam desesperados que a população mantivesse a calma.
O homem que labutava pelos labirintos urbanos, necessitado de transporte coletivo, ônibus e metrô, estava anestesiado nas profundezas de seu quarto-escritório.
Internet e TV ligadas simultaneamente, retinas lacrimejando pelos efeitos elétricos da tela do computador e lá ia o ser a retornar a sua geladeira duplex branca para mais uma averiguação de rotina.
Fechando-a pegou uma mexerica que estava dentro da fruteira inox sobre a mesa de madeira cor tabaco. Descascou-a e inebriou-se pelo cheiro do sumo que exalava daquela fruta amarela.
Um dia nada comum, nem mesmo aos domingos aquele magro e alto homem ficava em casa matando os ponteiros de seu relógio que insistia em girar segundo a segundo como uma ciranda interminável.
Mas ele estava lá, refém de luxo no aconchego de seu apartamento financiado pelo feirão da Caixa e com cerca de mais de dezoito anos para quitá-lo.
Era feliz, escrevia poesias nas horas de inspiração e estava aprendendo a tocar violão com uma professora negra dos olhos ainda mais negros que, quando o olhava lhe trazia bem estar e satisfação.
A professora, antes de tudo, era, para ele, um afrodisíaco afro-tupiniquim exótico.
Pensou em pedi-la em namoro, mas relutou achando ser antiético de sua parte assediar alguém que estava ganhando seu pão de maneira artisticamente singela.
Voltou à geladeira mais uma vez e encontrou um danete gelado que pacientemente foi devorado utilizando-se de uma colherinha de café.
Esse homem adorava saborear danetes com colherinhas de café.
No Orkut encontrou a comunidade "Eu Amo Os Anos 80", uma espécie de chat de música saudosista para aquelas pessoas que foram jovens nos idos anos 80.
Como ele mesmo dizia e digitava para amigos:
- Adoro aquela bateria sequinha, polida, o contra-baixo potente pontuando a canção e contrapondo-se a guitarra econômica e aquelas vozes melódicas e chorosas de Morrissey, Robert Smith, Peter Murphy e Ian McCullock.No momento em que finalizava seu danete ouvia concentradamente o álbum "Disintegration" do The Cure e lembrava nitidamente no dia em que adquiriu o disco vinil logo após seu lançamento.
Hoje, com uma mídia em MP3 com todos os discos do The Cure comprada a oito reais de um camelô na praça dos Correios ele relembrava saudosamente como era comprar um vinil novo. Inefável, pensava.
Lembrou, ainda, sem saber porquê, de seu amigo, Mario Borges, jornalista do Diário "A Cidade Em Chamas", que no mesmo instante, via pela internet e construia sua coluna do dia seguinte um texto às autoridades competentes na qual dizia raivosamente:
“Expresso de forma enfática todo meu desagravo em detrimento de atitudes nefastas como as que vem ocorrendo de forma sistemática com toda a população honesta e trabalhadora que é justamente quem mais sofre com a ausência de providencias eficazes por parte dos órgãos competentes no intuito de inibir e coibir manifestações marginais. É de nossa responsabilidade, juntamente com a união e o cooperativismo de toda a sociedade civil, reinvidicar soluções urgentes para podermos juntos, pleitear nosso Estado de Direito justo e trabalhando em prol do operário, do profissional liberal, do funcionário público e de todos os funcionário privados que laboram em empresas sérias e geram o crescimento de nossa nação brasileira”.
Esse sentimento de justiça não mais gerava alterações metabólicas naquele homem cansado do cotidiano, cansado de sua vida impar, de solidão nas noites serenas e de observações vagas nos balcões de bares suburbanos.
Resignado?
Talvez pretendesse fazer algo inútil ou gerar cinetismo naquele momento tranquilamente desesperador.
Mas a iminência ficava no pensamento.
Voltou à geladeira, olhou-a pela última vez, foi ao quarto minúsculo, abriu sua escrivaninha e retirou um objeto negro e gélido. Única herança do pai.
Após um copo de água gelada com sal de frutas para amenizar sua companheira gastrite, a vizinha de cima, quinto andar de um prédio classe baixa decadente na Avenida Robert Kennedy, ouviu um disparo e chamou a polícia.




*Extraído de: A hora da metamorfose

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sr. Geraldo e os morangos silvestres

*Em memória de meu avô.






O anjo se sensibiliza quando me fala sobre o pecado original
Faz-me perceber, ao longe, o sino, mas não consigo sentir a sua presença
E quando não há mais luz entre nós, dá-me um beijo sensual
Enquanto durmo...


Nessa noite pude lembrar-me do sonho que tive essa manhã
Estava caminhando numa cidade conhecida, ruas familiares
Muito parecidas, num bairro preto e branco
E me perdi caminhando numa larga avenida


Não havia ponteiros no relógio da torre e o do meu punho havia parado às duas e quarenta
Carruagens vagavam lentamente, seguindo um funeral
Eis que vi o corpo deitado naquele caixão branco
Tão pequeno... Pude ver a criança que jazia dentro dele


E, aproximando-me, inerte, fixei-me em sua face
Meu Deus... Era a minha, desse velho de noventa e quatro anos!
Onírico, egoísta, misantropo e extremamente metódico
Então, lembro-me que amanhã à noite receberei um prêmio em minha cidade natal


Ah, esse mérito bem que poderia ser de “O pequeno sonhador”!
O tempo pesa, sinto-me mais velho do que realmente sou
Ainda haverá perdão para os meus pecados?
Já deitado, mergulho em um sono profundo...


Sinto o calor do dia raiando, penso em me levantar
Levantar mais cedo do que o planejado, arrumar as malas e sair a contento
Sim eu vou... Não rumo ao prêmio
Rumo às reminiscências que me trarão alento



*Baseado em “Morangos Silvestres” de Ingmar Bergman (1957).
*A Geraldo Alves Ribeiro (15/07/1917 – 07/10/2011).

sábado, 17 de setembro de 2011

Vento no canavial


  "Tenho corpo e labor em outro lugar
                        Mas foi lá que meu coração nunca deixou de habitar."
                                                                               (Lou Marciano James)




Grandes são seus mitos, foram reais as suas lendas
Suas ciladas, que cresceram nessas trilhas como matos entre fendas
 R.I.P. Vicente Saci, Cabeça Dela, Adalgisa e o Mudinho
Japonês do alho e tantos outros de vida desgraçada


Olhando para trás, eu os aceito, a verdade está na terra
Desolada, vermelha na imensidão, descansem em paz, consolação
Deixem-me descansar também, estou farto de nadar nesse grande rio
Que ainda mata e só a minha sede é que não morre


Os que correm, são pneus enormes e deixam rastros fofos
Seu silêncio é tão breve, difícil perceber e explode como rojões
Todos os dias, segundas-feiras, sábados, domingos e dias de eleições
Explodíamos a caminho dos ranchos, sensações no relevo plano


Naquele tempo, era-me bom vivê-la, isso é certo e não me engano
De bicicleta, à Cabeça do Boi, entre os algodões do Ivo Queiroz
Os feijões do João Tadeu, margeando o Rio Grande
A Algodoeira do Mate Moisés, as casas de aluguel do Sr. Joel


Porto de areia, ranchos e roças, córrego do atalho
As terras dos Barbosa, a chácara do Quinzinho e as casas do Salim Miguel
Nas palavras, da velha cerâmica, telhas e nem a chaminé nos restou
Tudo foi demolido, inclusive os meus sonhos


Mas os cachorros... Ah os cachorros!
Proliferam-se como ratos e estão por toda parte
Eu ainda sou seguidor da liberdade e nunca houve tempo tão bom
Seu povo me mostra que a pobreza é mais rica do que a riqueza


Sua democracia é baseada na avareza
Depressões, suicídios, envenenamentos frustrados, deslizes, gritos insanos e dores do parto
Nascem e morrem, a juventude, a força, o fascínio e a decepção
Por obséquio, eis que surgem novos dias, novas ambições, falcatruas e risadas burocráticas, pois não


Dias e noites, traições são trazidas pelos ventos vindos do canavial
Que a rodeia, suas terras nutrem fogo e ignorância
Não há mais soja, sorgo ou algodão, talvez um pouco de esperança
Como é grande a riqueza e a pobreza da cana-de-açúcar, da cachaça em abundância


Grande é a velhice sensual e sedutora como aquela casinha na roça
Quero saber, desde criança, o que há lá dentro...
... Será que dentro dela há truculências, falsos planos, promessas vãs?
Onde estará a riqueza de sua alma, sua cultura e educação?


Seu orgulho e seu amor, onde estão?
Da cidade ao lado vem o emprego e seu sustento pela Usina Colorado
Trabalho diurno, trabalho noturno, o sono bate, o olho arde
Na madrugada negra, ainda faz-se tarde, muito tarde
É hora de tentar dormir um pouco, em silêncio, escondido, sem alarde




*Miguelópolis é uma cidade do nordeste do Estado de São Paulo, onde passei meus primeiros vinte anos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ontem foi seu aniversário



Ontem, reunimos alguns amigos, foi aniversário de minha esposa

Bebemos e falamos, rimos e choramos, celebramos a vida e degustamos

Nobres pratos, iguarias; agradeço-lhe por ter me trazido até aqui, um

contentamento, o nosso lar

Tenho a sensação que pertenço a algo superior, difícil mensurar



Nessa periferia, zona sul, a música ecoa e nos traz a sensação

Amplia a dimensão dos desejos, martela em nossa mente o poder da união

Coloque aquele vestido que tanto aprecio, realça suas curvas

Cessada as chuvas, abra seus olhos e venha comigo para um passeio misterioso



Com nossos amigos, seguiremos as estrelas, deixaremos o mundo para trás

Esqueceremos as imagens da TV e ficaremos em paz

Sentaremos num Bistrô e pediremos chopes artesanais

Confraternização e parabéns para você entre diálogos surreais...



... Permearão o nosso encontro naquela rua fina

Um amigo sai, outro casal chega e a noite nunca termina

Eu fico cego, esqueço tudo e você me vira a cabeça

Enfim, uma luz magnífica brilha para nós, visto o casaco às avessas



Eu não me lembro de mais nada, mas está tudo gravado em folhas reimpressas

Não se esqueça, coisas tecnológicas do Século XXI nos fazem equilibrar nessa linha tênue

Brilhe para mim minha querida, brilhe e brilhe, clareie minhas olheiras

Aumente minha cegueira com tua luz que me inebria



Grande valia ter tantos amigos assim...

... Desde o início até o fechamento

Da conta, estavam todos lá

Até os que se foram, os que passaram um pouco da conta, ao final estavam lá



E, terminamos a noite sorridentes...

... Cansados, suados, ébrios, onipotentes

Somos experientes, não há mágoa, rancor, ressentimentos e nem um “por que”

Juntos, em uníssono, todos aplaudiram e cantaram à vida:

“Parabéns a você nessa data querida...”



*A Tais GSM (29/01/1982)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Quando o sétimo selo for aberto






E fez-se o silêncio...

... O maior silêncio percebido desde então

Quando o inocente encontrou a Arca da Aliança




Muitos tentaram, não a encontraram

Nem escavadores, nem arqueólogos e nem aventureiros a encontraram

O conselho era óbvio demais para ser interpretado




Nela, um a um interligados, os selos se revelaram

E, até a sétima, as trombetas foram ouvidas por quem tinha ouvidos

Cada qual, trazendo sua exortação sonora hipnotizante aos aflitos




E a terceira trombeta um anjo tocou

Ainda nos faltam quatro...

Outro anjo, ansioso, nos avisou




Enquanto as fontes de água evaporavam

A estrela Absinto

Trazia amargor às que restavam




Na quarta trombeta, ocorreu um fenômeno astral

E, percebemos o surreal: “a lua sendo ferida aos nossos olhos”

Pobre dos que ainda moram nesse planeta inglório




Pois, ante a sexta trombeta

Contemplar-vos-ão os exegetas:

Fogo, fumaça e enxofre




Jacintos entre flagelos suscitar-nos-ão

A terça parte dos homens abnegados não lhes acompanharão

E os "não-escolhidos", preteridos, dizimar-se-ão




E, nem ainda assim, às revelações...

... Os que sobreviverem arrepender-se-ão

Das concupiscências, dos furtos que cometeram, da vaidade e da prostituição




Guardemos então, os acontecimentos na mente e em inscrições

Não tardou para ouvirmos os trovões, em seguida, às instruções:

Aos que restaram, vivam sem idolatria, leituras tolas e superstições

E, aperfeiçoem-se na fé por meio de jejum, amor e orações









*Baseado em ensinamentos do Apocalipse de João

domingo, 24 de outubro de 2010

Olimpíadas Colegiais do Estado de São Paulo - Atibaia SP


Entre os dias 10 e 16 de outubro foram realizadas em Estância Atibaia, as Olimpíadas Colegiais do Estado de São Paulo na categoria Infantil.


A aluna da EE Evaristo Fabrício, de Franca, Laira Rita Silva dos Santos do 1º C (E.M). conquistou medalha de prata nos 800m rasos com o tempo de 2’30’’3’’’

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

"On the rocks" para os velhos parlamentares




Uma pergunta para Vossa Excelência...

De qual grife é a tua bolsa?

Só mais outra, por favor

Quantos membros há em sua família?



Eu vi a lixeira da miséria transbordar

Afinal, não sou um dos seus...

Sou mais um do povo

E nela, transbordam sonhos



Transbordam esperanças...

... Perdidas

Agora, Vossa Excelência me diga

Quais os drinks que o senhor mais aprecia?




*Ao novo legislativo que virá

sábado, 25 de setembro de 2010

Ao chefe do executivo ou a quem possa interessar







“Na segunda vez, mudei minha primeira impressão”





Bons discursos convencem, mudam a opinião

O emprego das palavras com tenacidade

Conseguem muito, traz finalidades, ovação




Mas, a palavra “pão”

Por si, não mata a fome

E a palavra “roupa” não faz o homem




Faça da propaganda política sua oração

Em louvor, detenha os ventos, espalhe a chuva

Com equidade, dê-nos educação




Será possível que governar é tão fácil?

Ou a propaganda é que foi tão boa?

Até os famintos e analfabetos admitem

Que o cardápio servido teve requinte



... De crueldade






À Bertold Brecht

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sem equívocos




Ambíguo retorno
De uma ambígua partida
Guerra perdida?
Dúvida...


Ambígua fantasia
Adornos ambíguos
Mascaram a afasia
Dessa ambiguidade esclarecida




*a Paulo Leminski
(Mandei a palavra rimar, e ela não me obedeceu)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Nomes amenos




A vida passa, passou...
Só ficam os nomes, os selos
Retratos da existência legada
Claros e escuros, de família
Límpidos e sujos prenomes
Nomes da semana
E, das constelações
Alquimia de letras, poções


Em frases, verbos e complementos
Sobrenomes nas certidões de nascimento
Carregá-los, aderi-los e sê-los
Hinos, denominações, bandeiras e brasões
Dos lugares, povos e nações
Perpetuando a história dos
Pais, países, estados e principados
Gene das letras capacitadas continuando gerações




*a Paulo Leminski


(Milagre além do pecado, que sentido pode ter mais significado?)