quinta-feira, 1 de março de 2012
Heterônimos
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Soneto da praia doce
Agora, o sol sobre os rastros finos
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
No dia onze entre vinte e nove fontes
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
O dia que não passou
Queria ir ao trabalho, vender suas cartas de crédito e seus consórcios habituais de carros, motos e imóveis.
Era alto, magro, pele pálida e lábios arroxeados como se acabasse de beber algum vinho tinto barato.
Corretor de consórcios e imóveis com registro no sindicato e no conselho regional. Mas, naquele dia não saiu de casa, ou melhor, não pode faze-lo como cotidianamente fazia.
Estava ilhado em seu próprio lar.
Nenhum contato com o mundo lá fora. Tudo estava hibernado e ocioso como uma paisagem lunar.
O homem tedioso olhava através de seu monitor 17’ enquanto navegava pelo Orkut em busca de comunidades exóticas e obcenas.
Pela TV o repórter de plantão dava suas mais recentes informações e dizia que mais um ônibus fora incendiado na zona sul.As autoridades municipais e estaduais das secretarias de segurança e transportes estavam reunidas na busca de soluções imediatas, mas pediam desesperados que a população mantivesse a calma.
O homem que labutava pelos labirintos urbanos, necessitado de transporte coletivo, ônibus e metrô, estava anestesiado nas profundezas de seu quarto-escritório.
Internet e TV ligadas simultaneamente, retinas lacrimejando pelos efeitos elétricos da tela do computador e lá ia o ser a retornar a sua geladeira duplex branca para mais uma averiguação de rotina.
Fechando-a pegou uma mexerica que estava dentro da fruteira inox sobre a mesa de madeira cor tabaco. Descascou-a e inebriou-se pelo cheiro do sumo que exalava daquela fruta amarela.
Um dia nada comum, nem mesmo aos domingos aquele magro e alto homem ficava em casa matando os ponteiros de seu relógio que insistia em girar segundo a segundo como uma ciranda interminável.
Mas ele estava lá, refém de luxo no aconchego de seu apartamento financiado pelo feirão da Caixa e com cerca de mais de dezoito anos para quitá-lo.
Era feliz, escrevia poesias nas horas de inspiração e estava aprendendo a tocar violão com uma professora negra dos olhos ainda mais negros que, quando o olhava lhe trazia bem estar e satisfação.
A professora, antes de tudo, era, para ele, um afrodisíaco afro-tupiniquim exótico.
Voltou à geladeira mais uma vez e encontrou um danete gelado que pacientemente foi devorado utilizando-se de uma colherinha de café.
Esse homem adorava saborear danetes com colherinhas de café.
No Orkut encontrou a comunidade "Eu Amo Os Anos 80", uma espécie de chat de música saudosista para aquelas pessoas que foram jovens nos idos anos 80.
Como ele mesmo dizia e digitava para amigos:
- Adoro aquela bateria sequinha, polida, o contra-baixo potente pontuando a canção e contrapondo-se a guitarra econômica e aquelas vozes melódicas e chorosas de Morrissey, Robert Smith, Peter Murphy e Ian McCullock.No momento em que finalizava seu danete ouvia concentradamente o álbum "Disintegration" do The Cure e lembrava nitidamente no dia em que adquiriu o disco vinil logo após seu lançamento.
Lembrou, ainda, sem saber porquê, de seu amigo, Mario Borges, jornalista do Diário "A Cidade Em Chamas", que no mesmo instante, via pela internet e construia sua coluna do dia seguinte um texto às autoridades competentes na qual dizia raivosamente:
Resignado?
Talvez pretendesse fazer algo inútil ou gerar cinetismo naquele momento tranquilamente desesperador.
Voltou à geladeira, olhou-a pela última vez, foi ao quarto minúsculo, abriu sua escrivaninha e retirou um objeto negro e gélido. Única herança do pai.
Após um copo de água gelada com sal de frutas para amenizar sua companheira gastrite, a vizinha de cima, quinto andar de um prédio classe baixa decadente na Avenida Robert Kennedy, ouviu um disparo e chamou a polícia.
*Extraído de: A hora da metamorfose
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Sr. Geraldo e os morangos silvestres
sábado, 17 de setembro de 2011
Vento no canavial
R.I.P. Vicente Saci, Cabeça Dela, Adalgisa e o Mudinho
domingo, 30 de janeiro de 2011
Ontem foi seu aniversário

Ontem, reunimos alguns amigos, foi aniversário de minha esposa
Bebemos e falamos, rimos e choramos, celebramos a vida e degustamos
Nobres pratos, iguarias; agradeço-lhe por ter me trazido até aqui, um
contentamento, o nosso lar
Tenho a sensação que pertenço a algo superior, difícil mensurar
Nessa periferia, zona sul, a música ecoa e nos traz a sensação
Amplia a dimensão dos desejos, martela em nossa mente o poder da união
Coloque aquele vestido que tanto aprecio, realça suas curvas
Cessada as chuvas, abra seus olhos e venha comigo para um passeio misterioso
Com nossos amigos, seguiremos as estrelas, deixaremos o mundo para trás
Esqueceremos as imagens da TV e ficaremos em paz
Sentaremos num Bistrô e pediremos chopes artesanais
Confraternização e parabéns para você entre diálogos surreais...
... Permearão o nosso encontro naquela rua fina
Um amigo sai, outro casal chega e a noite nunca termina
Eu fico cego, esqueço tudo e você me vira a cabeça
Enfim, uma luz magnífica brilha para nós, visto o casaco às avessas
Eu não me lembro de mais nada, mas está tudo gravado em folhas reimpressas
Não se esqueça, coisas tecnológicas do Século XXI nos fazem equilibrar nessa linha tênue
Brilhe para mim minha querida, brilhe e brilhe, clareie minhas olheiras
Aumente minha cegueira com tua luz que me inebria
Grande valia ter tantos amigos assim...
... Desde o início até o fechamento
Da conta, estavam todos lá
Até os que se foram, os que passaram um pouco da conta, ao final estavam lá
E, terminamos a noite sorridentes...
... Cansados, suados, ébrios, onipotentes
Somos experientes, não há mágoa, rancor, ressentimentos e nem um “por que”
Juntos, em uníssono, todos aplaudiram e cantaram à vida:
“Parabéns a você nessa data querida...”
*A Tais GSM (29/01/1982)
sábado, 1 de janeiro de 2011
Quando o sétimo selo for aberto

E fez-se o silêncio...
... O maior silêncio percebido desde então
Quando o inocente encontrou a Arca da Aliança
Muitos tentaram, não a encontraram
Nem escavadores, nem arqueólogos e nem aventureiros a encontraram
O conselho era óbvio demais para ser interpretado
Nela, um a um interligados, os selos se revelaram
E, até a sétima, as trombetas foram ouvidas por quem tinha ouvidos
Cada qual, trazendo sua exortação sonora hipnotizante aos aflitos
E a terceira trombeta um anjo tocou
Ainda nos faltam quatro...
Outro anjo, ansioso, nos avisou
Enquanto as fontes de água evaporavam
A estrela Absinto
Trazia amargor às que restavam
Na quarta trombeta, ocorreu um fenômeno astral
E, percebemos o surreal: “a lua sendo ferida aos nossos olhos”
Pobre dos que ainda moram nesse planeta inglório
Pois, ante a sexta trombeta
Contemplar-vos-ão os exegetas:
Fogo, fumaça e enxofre
Jacintos entre flagelos suscitar-nos-ão
A terça parte dos homens abnegados não lhes acompanharão
E os "não-escolhidos", preteridos, dizimar-se-ão
E, nem ainda assim, às revelações...
... Os que sobreviverem arrepender-se-ão
Das concupiscências, dos furtos que cometeram, da vaidade e da prostituição
Guardemos então, os acontecimentos na mente e em inscrições
Não tardou para ouvirmos os trovões, em seguida, às instruções:
Aos que restaram, vivam sem idolatria, leituras tolas e superstições
E, aperfeiçoem-se na fé por meio de jejum, amor e orações
*Baseado em ensinamentos do Apocalipse de João
domingo, 24 de outubro de 2010
Olimpíadas Colegiais do Estado de São Paulo - Atibaia SP
Entre os dias 10 e 16 de outubro foram realizadas
A aluna da EE Evaristo Fabrício, de Franca, Laira Rita Silva dos Santos do 1º C (E.M). conquistou medalha de prata nos 800m rasos com o tempo de 2’30’’3’’’
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
"On the rocks" para os velhos parlamentares

Uma pergunta para Vossa Excelência...
De qual grife é a tua bolsa?
Só mais outra, por favor
Quantos membros há em sua família?
Eu vi a lixeira da miséria transbordar
Afinal, não sou um dos seus...
Sou mais um do povo
E nela, transbordam sonhos
Transbordam esperanças...
... Perdidas
Agora, Vossa Excelência me diga
Quais os drinks que o senhor mais aprecia?
*Ao novo legislativo que virá
sábado, 25 de setembro de 2010
Ao chefe do executivo ou a quem possa interessar

O emprego das palavras com tenacidade
Conseguem muito, traz finalidades, ovação
Mas, a palavra “pão”
Por si, não mata a fome
E a palavra “roupa” não faz o homem
Faça da propaganda política sua oração
Em louvor, detenha os ventos, espalhe a chuva
Com equidade, dê-nos educação
Será possível que governar é tão fácil?
Ou a propaganda é que foi tão boa?
Até os famintos e analfabetos admitem
Que o cardápio servido teve requinte
... De crueldade
À Bertold Brecht
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Sem equívocos

terça-feira, 21 de setembro de 2010
Nomes amenos






