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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Meus passos estão leves




Será que existe um outro mundo?
Uma outra vida no quarteirão seguinte?
Pelas ruas largas, carrego uma antologia de Quintana
Minha alma atônita vaga e busca...


... Respostas para minhas perguntas insanas
Entrei pela madrugada e agora
Só o brilho fosco dos postes e quem sabe
O espetáculo do Armaggedon para entreter-me


Cantam os grilos, meus passos estão leves
Tão leves que tento escalar o céu
O vento dorme...
... E o último ladrão acabou de apagar a luz



*A Mario Quintana

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um pouquinho sobre Mário Quintana


Mário de Miranda Quintana, gaúcho que nasceu em 1906 e faleceu em 1994, foi poeta, tradutor e jornalista.

Viveu grande parte de sua vida, solitária morando em hotéis.

Um fato curioso é que, em 1980 após a saída do jornal Correio do povo de Porto Alegre, foi despejado do Hotel Majestic por não saldar suas diárias.

O então jogador de futebol Paulo Roberto Falcão, proprietário do Hotel Royal cedeu um quarto ao poeta, que grato lhe disse:

"Não importa o tamanho do quarto, pois moro dentro de mim mesmo."

Um poema que aprecio muito e deixo registrado nesse post é:


Tristeza de escrever


Cada palavra

É uma borboleta morta

Espetada na página

Por isso,

A palavra escrita

É sempre triste


Um poeta simples, das coisas simples que escrevia pela necessidade de escrever.
*Fonte: Nova Antologia Poética, editora Globo 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ah! Os relógios...



Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidos
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

*Mario Quintana: extraído de: "A Cor do Invisível"