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terça-feira, 18 de maio de 2010

Sob voz de comando






Disseram-lhe:

Cante!

E lhe cortaram a garganta



Mandaram-lhe:

Vá se deitar!

E lhe arrancaram as ancas



Ordenaram-lhe:

Se apresente!

E lhe vestiram um disfarce



Afirmo-lhes em vão:

São essa loucura e esses atos dementes

Que destruíram os expoentes

Da minha rica geração

A Bertold Brecht

sábado, 15 de maio de 2010

Entre pregos e madeira









O Filho do Criador

Nasceu num estábulo, por amor e sacrifício

E, entre pregos e madeiras; em Nazaré foi criado por José

Pela fé, companheiro de Maria e carpinteiro por ofício





Em traição, morreu por nós, de acordo com as Escrituras

Crucificado, após o beijo nas Oliveiras, teve suas vestes rasgadas

Levando e redimindo todo o pecado do mundo

Doou-se em holocausto sob lanças e chibatadas





Os pedaços de madeira, fixados de pé em forma de cruz

Estiveram nas tuas mãos, I.N.R.I., trazendo-nos à luz

Sobre o que houvestes afirmado

Sentindo o correr do sangue brotando dos pregos fincados





Só depois do Calvário serás visitado e não encontrado

Ao terceiro dia, ressuscitado, confirmado e idolatrado

Redimindo-nos dos nossos pecados

Para no Dia do Juízo, sermos arrebatados




*Baseado em Ezequiel, Capítulo 37

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O clamor do ateu moribundo






Não se joga na cara de Deus

O aborrecimento por uma vida amarga

É isso que me faz não acreditar em sua doutrina



Ateus são céticos que negam a verdade

Com soberba, somente por vaidade

E essa descrença, aumenta-lhe o sofrimento trazendo-o a tona

Corroendo a alma enferma com econômica parcimônia



... A noite se fez rapidamente negra

Bela e prateada, eis a lua impávida

Seu lume traz melancolia e propaga-se pelo terreno

Como a dúvida que transborda sobre o ateu enfermo






*Baseado no conto: ‘Raiva e impotência’, de Gustave Flaubert (1821-1880)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Há três dias a chuva cai e você está vivo







Não sou conselheiro

Nem escravo do dinheiro

Mas, se puder ouvir, vou lhe dizer:

É divertido estar vivo! Pode crer!



É sedutor flertar com o fogo

Mas, o que alimenta as chamas?

Os corpos?

Meu ego, seus dramas?



Isso então me mostra como é perigoso amadurecer

Serve-me como lição

Mantendo-se fiel aos princípios

Sendo prudente, sem perder a razão



Vou queimar-me sem parar, para todo sempre

E sempre, numa visão romanceada da verdade

De que é melhor

Estar vivo do que morto



Absorto, vejo um pássaro amarelo
Que canta e voa sem preocupação

Eu, incomodado, em minha casa atrás da janela

Ouço a chuva há três dias

E o pássaro, indiferente, voa e canta sob ela

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre nós, vulcões incandescentes



Não farei versos a ti
Óh, mulher amada
Falarei, então, sobre nós
Nossa vida delicada


Tiro da memória
Momentos, histórias
Pensamentos vão e vem
Percebo como faze-me bem


Somos como nascentes
Ou vulcões incandescentes
Histórias de fadas, surrealidade...
... Fugimos da realidade


Nunca descobrirei seu segredo, resigno
Distante, perceberás em desatino
O paraíso torna-se fatal
No cotidiano de um casal


Embora não haja poeta sem dor
Em nossa paixão não há rancor
Amo-te em decência
Quero-te em potência


Nosso caso é admirável
Em transcendência inefável
Exprimo, assim meu sentimento
Num poema, como alento



A
Tais GSM
Amor vincit omnia.