sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No dia onze entre vinte e nove fontes



     "I've got a feeling
                                                                  A feeling I can't hide"
                                                                             (The Beatles)



Novembro... Enquanto você tenta sorrir com a boca
Eu sorrio com os olhos
Para ti e para as outras vinte e nove fontes, sorrio


Nasci desse jeito, onírico
Não porque fui uma espécie de
Porém, equivalente à


E, percebo seus verdes  olhos cegos
Reverenciando-me, mentindo para mim de um jeito...
... Tão especial, como se criasse uma parceria


Entre...


Você foi uma garota muito má
E sedutora, minha musa fundamental
De mim, esconde a memória, os cabelos e os dados, na cartola


Nessa data repleta de números “um”, indiferente, me ignora
Mesmo sabendo que não duraremos para sempre, já estamos no século XXI
E o resto do mundo tenta ouvir The Beatles como os americanos em 1969


Crie um acontecimento midiático com esse fato
Celebre o encontro e deixe a resposta para os outros
Quando nos encontrarmos pelo caminho, dar-me-á carona?


Juntos, gastaremos todo o pagamento naquele show
Mas, só faremos as contas no caminho de volta para casa
Afinal, o importante são as memórias daquele dia inesquecível


Sob capas de chuvas, brindaremos e escreveremos cartas
Aos amigos, o Descobrimento do Brasil em 1993
Entre barcos, só por hoje, faremos um filme com todos vocês






*Homenagem aos álbuns “Let it Be” (1969), The Beatles e
 “O Descobrimento do Brasil” (1993), Legião Urbana.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O dia que não passou

Em frente ao computador, aquele homem não estava com a mínima vontade de expressar coisa alguma. Nem bebericar o café que há tempos esfriara.
Queria ir ao trabalho, vender suas cartas de crédito e seus consórcios habituais de carros, motos e imóveis.
Era alto, magro, pele pálida e lábios arroxeados como se acabasse de beber algum vinho tinto barato.
Corretor de consórcios e imóveis com registro no sindicato e no conselho regional. Mas, naquele dia não saiu de casa, ou melhor, não pode faze-lo como cotidianamente fazia.
Estava ilhado em seu próprio lar.
Nenhum contato com o mundo lá fora. Tudo estava hibernado e ocioso como uma paisagem lunar.
O homem tedioso olhava através de seu monitor 17’ enquanto navegava pelo Orkut em busca de comunidades exóticas e obcenas.
Pela TV o repórter de plantão dava suas mais recentes informações e dizia que mais um ônibus fora incendiado na zona sul.As autoridades municipais e estaduais das secretarias de segurança e transportes estavam reunidas na busca de soluções imediatas, mas pediam desesperados que a população mantivesse a calma.
O homem que labutava pelos labirintos urbanos, necessitado de transporte coletivo, ônibus e metrô, estava anestesiado nas profundezas de seu quarto-escritório.
Internet e TV ligadas simultaneamente, retinas lacrimejando pelos efeitos elétricos da tela do computador e lá ia o ser a retornar a sua geladeira duplex branca para mais uma averiguação de rotina.
Fechando-a pegou uma mexerica que estava dentro da fruteira inox sobre a mesa de madeira cor tabaco. Descascou-a e inebriou-se pelo cheiro do sumo que exalava daquela fruta amarela.
Um dia nada comum, nem mesmo aos domingos aquele magro e alto homem ficava em casa matando os ponteiros de seu relógio que insistia em girar segundo a segundo como uma ciranda interminável.
Mas ele estava lá, refém de luxo no aconchego de seu apartamento financiado pelo feirão da Caixa e com cerca de mais de dezoito anos para quitá-lo.
Era feliz, escrevia poesias nas horas de inspiração e estava aprendendo a tocar violão com uma professora negra dos olhos ainda mais negros que, quando o olhava lhe trazia bem estar e satisfação.
A professora, antes de tudo, era, para ele, um afrodisíaco afro-tupiniquim exótico.
Pensou em pedi-la em namoro, mas relutou achando ser antiético de sua parte assediar alguém que estava ganhando seu pão de maneira artisticamente singela.
Voltou à geladeira mais uma vez e encontrou um danete gelado que pacientemente foi devorado utilizando-se de uma colherinha de café.
Esse homem adorava saborear danetes com colherinhas de café.
No Orkut encontrou a comunidade "Eu Amo Os Anos 80", uma espécie de chat de música saudosista para aquelas pessoas que foram jovens nos idos anos 80.
Como ele mesmo dizia e digitava para amigos:
- Adoro aquela bateria sequinha, polida, o contra-baixo potente pontuando a canção e contrapondo-se a guitarra econômica e aquelas vozes melódicas e chorosas de Morrissey, Robert Smith, Peter Murphy e Ian McCullock.No momento em que finalizava seu danete ouvia concentradamente o álbum "Disintegration" do The Cure e lembrava nitidamente no dia em que adquiriu o disco vinil logo após seu lançamento.
Hoje, com uma mídia em MP3 com todos os discos do The Cure comprada a oito reais de um camelô na praça dos Correios ele relembrava saudosamente como era comprar um vinil novo. Inefável, pensava.
Lembrou, ainda, sem saber porquê, de seu amigo, Mario Borges, jornalista do Diário "A Cidade Em Chamas", que no mesmo instante, via pela internet e construia sua coluna do dia seguinte um texto às autoridades competentes na qual dizia raivosamente:
“Expresso de forma enfática todo meu desagravo em detrimento de atitudes nefastas como as que vem ocorrendo de forma sistemática com toda a população honesta e trabalhadora que é justamente quem mais sofre com a ausência de providencias eficazes por parte dos órgãos competentes no intuito de inibir e coibir manifestações marginais. É de nossa responsabilidade, juntamente com a união e o cooperativismo de toda a sociedade civil, reinvidicar soluções urgentes para podermos juntos, pleitear nosso Estado de Direito justo e trabalhando em prol do operário, do profissional liberal, do funcionário público e de todos os funcionário privados que laboram em empresas sérias e geram o crescimento de nossa nação brasileira”.
Esse sentimento de justiça não mais gerava alterações metabólicas naquele homem cansado do cotidiano, cansado de sua vida impar, de solidão nas noites serenas e de observações vagas nos balcões de bares suburbanos.
Resignado?
Talvez pretendesse fazer algo inútil ou gerar cinetismo naquele momento tranquilamente desesperador.
Mas a iminência ficava no pensamento.
Voltou à geladeira, olhou-a pela última vez, foi ao quarto minúsculo, abriu sua escrivaninha e retirou um objeto negro e gélido. Única herança do pai.
Após um copo de água gelada com sal de frutas para amenizar sua companheira gastrite, a vizinha de cima, quinto andar de um prédio classe baixa decadente na Avenida Robert Kennedy, ouviu um disparo e chamou a polícia.




*Extraído de: A hora da metamorfose

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sr. Geraldo e os morangos silvestres

*Em memória de meu avô.






O anjo se sensibiliza quando me fala sobre o pecado original
Faz-me perceber, ao longe, o sino, mas não consigo sentir a sua presença
E quando não há mais luz entre nós, dá-me um beijo sensual
Enquanto durmo...


Nessa noite pude lembrar-me do sonho que tive essa manhã
Estava caminhando numa cidade conhecida, ruas familiares
Muito parecidas, num bairro preto e branco
E me perdi caminhando numa larga avenida


Não havia ponteiros no relógio da torre e o do meu punho havia parado às duas e quarenta
Carruagens vagavam lentamente, seguindo um funeral
Eis que vi o corpo deitado naquele caixão branco
Tão pequeno... Pude ver a criança que jazia dentro dele


E, aproximando-me, inerte, fixei-me em sua face
Meu Deus... Era a minha, desse velho de noventa e quatro anos!
Onírico, egoísta, misantropo e extremamente metódico
Então, lembro-me que amanhã à noite receberei um prêmio em minha cidade natal


Ah, esse mérito bem que poderia ser de “O pequeno sonhador”!
O tempo pesa, sinto-me mais velho do que realmente sou
Ainda haverá perdão para os meus pecados?
Já deitado, mergulho em um sono profundo...


Sinto o calor do dia raiando, penso em me levantar
Levantar mais cedo do que o planejado, arrumar as malas e sair a contento
Sim eu vou... Não rumo ao prêmio
Rumo às reminiscências que me trarão alento



*Baseado em “Morangos Silvestres” de Ingmar Bergman (1957).
*A Geraldo Alves Ribeiro (15/07/1917 – 07/10/2011).

sábado, 17 de setembro de 2011

Vento no canavial


  "Tenho corpo e labor em outro lugar
                        Mas foi lá que meu coração nunca deixou de habitar."
                                                                               (Lou Marciano James)




Grandes são seus mitos, foram reais as suas lendas
Suas ciladas, que cresceram nessas trilhas como matos entre fendas
 R.I.P. Vicente Saci, Cabeça Dela, Adalgisa e o Mudinho
Japonês do alho e tantos outros de vida desgraçada


Olhando para trás, eu os aceito, a verdade está na terra
Desolada, vermelha na imensidão, descansem em paz, consolação
Deixem-me descansar também, estou farto de nadar nesse grande rio
Que ainda mata e só a minha sede é que não morre


Os que correm, são pneus enormes e deixam rastros fofos
Seu silêncio é tão breve, difícil perceber e explode como rojões
Todos os dias, segundas-feiras, sábados, domingos e dias de eleições
Explodíamos a caminho dos ranchos, sensações no relevo plano


Naquele tempo, era-me bom vivê-la, isso é certo e não me engano
De bicicleta, à Cabeça do Boi, entre os algodões do Ivo Queiroz
Os feijões do João Tadeu, margeando o Rio Grande
A Algodoeira do Mate Moisés, as casas de aluguel do Sr. Joel


Porto de areia, ranchos e roças, córrego do atalho
As terras dos Barbosa, a chácara do Quinzinho e as casas do Salim Miguel
Nas palavras, da velha cerâmica, telhas e nem a chaminé nos restou
Tudo foi demolido, inclusive os meus sonhos


Mas os cachorros... Ah os cachorros!
Proliferam-se como ratos e estão por toda parte
Eu ainda sou seguidor da liberdade e nunca houve tempo tão bom
Seu povo me mostra que a pobreza é mais rica do que a riqueza


Sua democracia é baseada na avareza
Depressões, suicídios, envenenamentos frustrados, deslizes, gritos insanos e dores do parto
Nascem e morrem, a juventude, a força, o fascínio e a decepção
Por obséquio, eis que surgem novos dias, novas ambições, falcatruas e risadas burocráticas, pois não


Dias e noites, traições são trazidas pelos ventos vindos do canavial
Que a rodeia, suas terras nutrem fogo e ignorância
Não há mais soja, sorgo ou algodão, talvez um pouco de esperança
Como é grande a riqueza e a pobreza da cana-de-açúcar, da cachaça em abundância


Grande é a velhice sensual e sedutora como aquela casinha na roça
Quero saber, desde criança, o que há lá dentro...
... Será que dentro dela há truculências, falsos planos, promessas vãs?
Onde estará a riqueza de sua alma, sua cultura e educação?


Seu orgulho e seu amor, onde estão?
Da cidade ao lado vem o emprego e seu sustento pela Usina Colorado
Trabalho diurno, trabalho noturno, o sono bate, o olho arde
Na madrugada negra, ainda faz-se tarde, muito tarde
É hora de tentar dormir um pouco, em silêncio, escondido, sem alarde




*Miguelópolis é uma cidade do nordeste do Estado de São Paulo, onde passei meus primeiros vinte anos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Entre professor...




Sou perverso e excitante, mas só quero ir para casa agora
É tão tolo, fútil e inútil cantar para alguém quando se está sozinho
Ou para alguém que já não ouve o mundo há muito tempo
Atitude típica de quem é tagarela; há muitos nessa escola velha


Falar por falar... Sendo que Deus deu-lhe apenas uma boca, minha jovem
Ganhaste dois ouvidos, somente para ouvir mais
E falar menos, enquanto o surdo segura o cesto de morangos silvestres
Seria mesmo tão horrível envelhecer segurando esse giz branco?


Envelhecer sendo egoísta a vida inteira, furando filas nos bancos
Abstêmio, sem prazeres, sem trivialidades, sem bom humor
Só crenças e desavenças permearam minha existência
Lembro-me quando era jovem, magro e ridicularizado


Isso me servia como terapia, fazia-me forte por um instante
Agora, seu assovio me perturba e suas lágrimas pertencem só a você
Elas são sagradas, são femininas e te deixam ainda mais linda
Talvez seu maior defeito seja insistir em viver pela beleza


Enquanto o meu defeito é esperar pela herança
Mas ela nunca vem, mata-me a esperança
De dias melhores, abastados, resta-me essa caixa com velhos brinquedos
E, brincando mato o meu tempo...


Ah, velho tempo!
Certa vez, disseram-me que tenho pescoço e braços bonitos
Mas, minhas pernas são finas e não consigo ir muito longe com elas
Porém, vou longe com minhas idéias, com meus pensamentos fortes


Só as cãibras poderão me deter...
... E, dói tanto sorrir para o meu diretor, dói-me tanto a face
Sou professor e não consigo ensinar
Ensinar a mim mesmo a aprender


Fui acusado de culpa, mas, de negligência nunca me acusaram
Todavia, sinto que isso possa ser verdade
Condenado! Condenado! Mil vezes condenado por culpa
Tenho pena de mim mesmo, professor, eu tenho pena de mim mesmo!




*A Isak Borg, personagem de “Morangos Silvestres” (1957). Direção: Ingmar Bergman.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Miguelópolis Revisited (parte I)

  • Letra: Lou James Jr.
  • Música: Mestre Edu
  • Voz e gaita: Savok Onaitsirk


Há tempos perdemos a intimidade
Dessa cidade, conheço as ruas a dedo
Carrego comigo, seus medos, seu pó nas narinas
E da infância, reminiscências e alvitres nas retinas

Sinto falta da bicicleta, do Rio Grande, da bola e do rolimã
Do campinho do Sílvio, da Cohab, da casa 115
Frutas da época: carambola, goiaba vermelha, manga e romã
Saí muito jovem, ainda tinha a mente sã

A Matriz está lá, as velhas e seus escapulários
Defronte ao Bar do Joaquim, sem as árvores, o Santuário
Sua fonte e nos seus bancos ainda sentam corruptos e salafrários
Onde os jovens se encontram e verbalizam sem horário nem dicionário

O Estádio Waldemar de Freitas e suas falhas na grama
A esquina da Nenê não tem mais o pé de boldo nem a roseira
Poucos amigos restaram, besteira
Sou saudosista, que pieguice
Na Socremi, encontrava-me com a Inês, a Fernanda e a Clarisse

Passando pelas ruas retas e largas, olho para o céu a caminho da Marcenaria do Miguel
Ainda desvio dos ciclistas, dos cachorros e das carroças vou escapando
Logo ali, depois da Radio Vale, pelo Cartório do Sr Didi, passo acenando
Lá, algumas coisas nunca mudam, de rostos e lugares vou lembrando...
A loja da Dona Célia, a sorveteria do Florisvaldo, a Casa São José e o Bar do Zé Fernando...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Miguelópolis Revisited (parte II)

  • Letra: Lou James Jr.
  • Música: Mestre Edu
  • Voz e Gaita: Savok Onaitsirk

Estão todos imunes ao tempo
Para minha saudade contemplar
Amigos de infância, fatos, mitos e insights em reentrâncias


Em verdade, com sinceridade, escute-me, vou falar:
Tenho corpo e labor em outro lugar
Mas, foi lá que meu coração nunca deixou de habitar

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Músicas que citam livros: Minha namorada é uma webcam - Retinas Queimadas

Minha namorada é uma webcam - Retinas Queimadas

Letra: Lou James
Música: The Saylor

Minha namorada é uma webcam
Minha namorada é uma webcam

Todos os dias ela me espera
Prá que eu chegue e a encare
Dê-me um sorriso
Aproxime-se de mim

Minha namorada é uma webcam
Minha namorada é uma webcam

Fetichismo e exibição
São as causas e a razão
Do meu amor por ela
Do seu amor por mim

Minha namorada é uma webcam
Minha namorada é uma webcam

Nunca conheceu o amor
Só indiferença e frigidez
A volúpia que criei
Foi no momento em que te encontrei

Minha namorada é uma webcam
Minha namorada é uma webcam

Parada, encostada num balcão
Indiferente, indiferente a situação
Foi amor logo de cara
Foi amor de perdição

Minha namorada é uma webcam
Minha namorada é uma webcam


*"Amor de Perdição" publicado em 1862, romance de Camilo Castelo Branco (1825 - 1890), um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa contemporânea.

Assista: Minha namorada é uma webcam

Fonte: Youtube

terça-feira, 26 de julho de 2011

Músicas que mencionam escritores: Trocando em miúdos - Chico Buarque



Trocando em miúdos
(Chico Buarque)



Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde



PABLO NERUDA: Neftalí Ricardo Reyes Basoalto (Parral, 12 de Julho de 1904 — Santiago, 23 de Setembro de 1973), foi um poeta considerado um dos mais importantes da língua castelhana do Século XX.
Exerceu também o cargo de cônsul do Chile na Espanha e no México entre 1934 a 1938.
Em 1971 recebeu o Nobel de Literatura.


Veja e ouça: Trocando em miúdos


Fonte: Youtube

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Músicas que mencionam livros: Venus in Furs - The Velvet Underground



Venus in Furs: The Velvet Underground
Letra: Lou Reed

Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Clubs and bells, your servant, dont forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart

Downy sins of streetlight fancies
Chase the costumes she shall wear
Ermine furs adorn the imperious
Severin, severin awaits you there

I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears

Kiss the boot of shiny, shiny leather
Shiny leather in the dark
Tongue of thongs, the belt that does await you
Strike, dear mistress, and cure his heart

Severin, severin, speak so slightly
Severin, down on your bended knee
Taste the whip, in love not given lightly
Taste the whip, now plead for me

I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears

Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Severin, your servant comes in bells, please dont forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart



Essa canção de Lou Reed para o álbum: The Velvet Underground & Nico (1967) faz referência ao livro homônimo: "Venus in Furs" (1870), de Leopold Von Sacher-Masoch.
Na edição brasileira da Editora Hedra recebeu o título de: "A vênus das Peles".


domingo, 26 de junho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

Músicas que mencionam livros: VILA DO SOSSEGO: ZÉ RAMALHO

VILA DO SOSSEGO: ZÉ RAMALHO

Oh, eu não sei se eram os antigos que diziam
Em seus papiros Papilon já me dizia
Que nas torturas toda carne se trai
Que normalmente, comumente, fatalmente, felizmente,
Displicentemente o nervo se contrai
Oh, com precisão

(Nos aviões que vomitavam pára-quedas)
Nas casamatas, casas vivas, caso morras
E nos delírios meus grilos temer
O casamento, o rompimento, o sacramento, o documento
Como um passatempo quero mais te ver
Oh, com aflição

Meu treponema não é pálido nem viscoso
Os meus gametas se agrupam no meu som
E as querubinas meninas rever
Um compromisso submisso, rebuliço no cortiço
Chame o Padre "Ciço" para me benzer
Oh, com devoção



Sobre o trecho:
"Nos aviões que vomitavam pára-quedas..."
Zé Ramalho encontrou e extraiu essa frase por meio do livro 'Piloto de Guerra' do autor Saint-Exupéry, sua fonte de inspiração.


Essa canção faz parte do primeiro disco e leva o nome da casa "Vila do Sossego" onde o cantor residia na praia de Maraíra em João Pessoa.



*Fonte: Youtube

terça-feira, 7 de junho de 2011

Músicas que mencionam livros: Retórica sentimental: Belchior




Retórica sentimental: Belchior

Moro num lugar comum, perto daqui, chamado Brasil.
Feito de três raças tristes, folhas verdes de tabaco
E o guaraná guarani.
Alegria, namorados, alegria de Ceci.
Manequins emocionadas:
- São touradas de Madrid...
Que em matéria de palmeira ainda tem o buriti perdido.
Símbolo de nossa adolescência,
Signo de nossa inocência índia, sangue tupi.
E por falar no sabiá, o poeta Gonçalves Dias é que sabia...
Sabe lá se não queria
Uma Europa bananeira.
- Diga lá, tristes trópicos,
Sabiá laranjeiras.
Aliás, meu camarada, o cantor popular falou divinamente:
Deus é uma coisa brasileira, nordestinamente paciente.
Oh! blood moon.

*Fonte: Vagalume

Tristes Trópicos (fr: Tristes Tropiques ) é um livro do antropólogo e filósofo francês Claude Lévi-Strauss publicado em 1955, na França, pela Editora Plon (Paris).
Uma narrativa etnográfica romanceada, com excertos curiosos sobre sociedades indígenas brasileiras. Aparentemente, apenas um livro de viagem, mas, repleto de passagens onde o autor faz especulações filosóficas sobre o status da Antropologia; análise comparativa de religiões, entre o Novo e o Velho Mundo, as concepções de progresso e de civilização.

Essa canção faz parte do álbum: Medo de Avião de 1979.

Na letra, há a citação de uma personagem:
"...ALEGRIA NAMORADOS, ALEGRIA DE CECI"
Ceci e Peri
são os personagens principais do romance O Guarani, do escritor José de Alencar, inicialmente publicado em forma de folhetim em 1857 quando obteve grande reconhecimento pelo público.
A fase indianista do romancista José de Alencar produziu essa pérola da literatura nacional onde o amor rompe barreiras e grita ao mundo que desconhece limites.
Ambientada numa época em que os preconceitos sociais, tornavam uma verdadeira heresia o amor entre brancos e índios, o Guarani conta o nascimento, crescimento e sacrifício do amor entre Ceci e Peri.
A jovem Ceci, filha de rico proprietário de terras, linda e pura de sentimentos, nutre por Peri, índio criado pela sua família, um sentimento que nem ela mesma consegue identificar como "amor".
Tivessem os nossos jovens hoje mais interesse por esse tipo de leitura, o amor com certeza seria mais valorizado, teria mais sabor.


E para encerrar o tema, temos:
"...E POR FALAR NO SABIÁ
O POETA GONÇALVES DIAS É QUEM SABIA".

O poeta Antônio Gonçalves Dias, que se orgulhava de ter no sangue as três raças formadoras do povo brasileiro (branca, indígena e negra), nasceu no Maranhão em 10 de agosto de 1823.
Em 1840 foi para Portugal cursar Direito na Faculdade de Coimbra. Ali, entrou em contato com os principais escritores da primeira fase do Romantismo português.
Em 1843, inspirado na saudade da pátria, escreveu:
"Canção do Exílio".

Deve-se a Gonçalves Dias a consolidação do Romantismo no Brasil.
Isso porque o poeta trabalhou com maestria todas as características iniciais da primeira fase do Romantismo brasileiro.
De sua obra, geralmente dividida em lírica, medieval e nacionalista, destacam-se "I-Juca Pirama", "Os Tibiramas" e "Canção do Tamoio".
Sem sombra de dúvida, essa canção repleta de elementos literários é uma obra-prima do mestre Belchior.
*Fonte: youtube