sábado, 20 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Abandone os livros, ler é perigoso
Se, atentamente puderes me ouvir:
Não leia, abandone os livros!
Eles poderão causar-lhe males irreversíveis
Pois, acordam os homens para realidades impossíveis
Lendo, tornei-me incapaz de suportar a insipidez do mundo
Por eles, fui induzido a cometer loucuras, fiz-me Quixote
Por sorte, teria morrido feliz e ignorante
Meti-me rumo afora, lutando sobre meu Rocinante
A realidade do cotidiano me fere com o preço do labor
Mas, adentrando-me numa biblioteca, descubro um novo sabor
Os livros provocam-me inesperados e limpos atalhos
Doravante, sem eles, tropeçaria em pedras e cascalhos
Nas histórias de Maugham, Wilde, Henry Miller e Calvino
Deixei de ser apenas átomos em movimento, descobri dimensões
Não me inclino ao absurdo, sou lúdico e ainda menino
Espírito diferente querendo aventuras e ignorando os desatinos
Ler traz problemas sociais graves, deixa-nos conscientes demais
Se todas as sociedades lessem, seria impossível controlá-las e organizá-las
Teríamos posição definida no mundo e saberíamos articular as variações
Melhor é ler apenas os manuais de instruções
Seríamos subversivos, não existiriam fronteiras nem prisões
Ler devia ser coisa singular, termo de grande valia
Não é para todos, só para os loucos
Para quem suporta dores, alegrias, inúmeras sensações, e esses são poucos
Ato obsceno ter um livro às mãos
Expõe as entranhas, torna o sentimento íntimo, coletivo
Para obedecermos não é necessário sabermos
Para sermos submissos não é preciso discernir
Por isso ler é perigoso, faz-nos demasiadamente humanos
Quando emanar essa vontade relute, trabalhe ou então, vá dormir
*Baseado em texto de Guiomar de Grammon
segunda-feira, 15 de março de 2010
Representação e vontade
Tu, que aceitas as açoitadas da sorte
E reluta impassível diante ao sofrimento
Oriente tuas ações para a busca do pleno conhecimento
E então perceberás
Que não se faz grandes homens
Sem uma pitada de loucura e atrevimento
*Baseado em citações de Schopenhauer
quinta-feira, 4 de março de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O braço direito de Otto
Estou condenado à escrita
E a cada folha preenchida
Nutrem-se as chamas de minha inspiração
Não renunciei a vida, ah não!
Não obstante, anseio em conhecê-la
Desvendar seus ritos, seus mistérios
Mergulhar no desconhecido, merecê-la
Queria provar o ventre da montanha
Sentir seu calor, receber seus nutrientes
Mas, faltam-me raízes, amigos, olhos e mil coisas
Os lábios grossos fecham-me a boca
Não sei o que é o verdadeiro mar
E nunca direi não a ele
As palavras são portas abertas
Lembro-me de meu pai, anuindo com a cabeça
Depois, sentirei clausura nas montanhas
Precisarei conhecer o intervalo entre elas
Quando ele, apontava-me o cume
Media a distância do chão até o céu
O espelho sem mácula transformado em sabedoria
E essa sabedoria divina é a que me sempre me faltou
Melancolia incurável... Guarda-me anjo!
Venha antes e prepara-me, mostre-me quem eu sou!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Selo: Parada Obrigatória

Recebi, em reconhecimento ao conteúdo do blog Teatro da Memória, o Selo: Parada Obrigatória.
Agradeço a todos pelo reconhecimento do trabalho.
E, de acordo com as normas, devo indicar cinco blogs para também o receberem.
Nessa difícil tarefa, indico:
*Alacazum: http://alacazum.blogspot.com/
*Basf 90 Minutos: http://basf90minutos.blogspot.com/
*Circo Vicioso: http://joaolopesmarques.blogspot.com/
*Lúcida Insanidade: http://diariodalucidainsanidade.blogspot.com/
*Meu Mundo: http://tacyla.blogspot.com/
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O clamor do ateu moribundo
Não se joga na cara de Deus
O aborrecimento por uma vida amarga
É isso que me faz não acreditar em sua doutrina
Ateus são céticos que negam a verdade
Com soberba, somente por vaidade
E essa descrença, aumenta-lhe o sofrimento trazendo-o a tona
Corroendo a alma enferma com econômica parcimônia
... A noite se fez rapidamente negra
Bela e prateada, eis a lua impávida
Seu lume traz melancolia e propaga-se pelo terreno
Como a dúvida que transborda sobre o ateu enfermo

*Baseado no conto: ‘Raiva e impotência’, de Gustave Flaubert (1821-1880)
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
O efeito do ato
Esse ato, narrado pelo apóstolo
Perpetua-se pelas Sagradas Escrituras
Trouxe-nos a alegria, a crença e a lealdade
Porém antes, sobreveio somente aflição
Enorme consternação e desconfiança
Foi como se tivéssemos perdido a esperança
O varão disse-nos:
Venham à Macedônia e nos ajude
Mas, não preguem seus costumes
Se, perturbarem a nossa ordem
A multidão se levantará contra vocês
E lhes constrangerão; ao cárcere, lançar-vos-ão
Dito feito, fato consumado
Rasgam-nos as vestes
Prendem-nos ao tronco
Açoitam-nos com varas
E, por volta da meia-noite
Eis que, surge um terremoto
Enorme tremor que sacudiu os alicerces do presídio
Todas as portas se abriram
E as correntes dos subjugados se soltaram
E, nossos olhos contemplaram o inimaginável
Há quem duvide
Acredite quem tiver juízo

*Baseado em: Atos dos Apóstolos, Capítulo 16
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Assim como Drummond, eu sou
Retorcendo o meu “Eu”
Descubro minhas faces
São muitas
São sete
Sou triste
Ora, orgulhoso
Sou de ferro
Puro e pernicioso
Tranquilo, mas ansioso
Perdi mulheres
Ganhei horizontes
Me divirto, ainda hoje
Com o ato de sofrer, de perder
De guardar e de querer viver
Inspira-me Drummond!
Faça-me ler-te e reler-te de novo
Ontem, agora, daqui a pouco
Amanhã e depois de amanhã tu renascerá
Dê-me as pistas e minha busca, vã, não será
Nem no ano velho, muito menos no ano novo
Conheci-te na mocidade, plena idade, vigoroso
Hoje, nobre meia-idade, vagaroso
Atravesso o pórtico das eras, silencioso
Por ti, meu poeta, tornar-me-ei novamente portentoso

*Ao mestre: Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987)
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Sobre Moby Dick, romance de Herman Melville
O original de Moby Dick foi publicado em três fascículos com o título de “Moby-Dick ou A Baleia” em Londres no ano de 1851, e, ainda no mesmo ano, em Nova York , numa edição integral pelo escritor americano Herman Melville.
O título da obra basea-se no cachalote branco, que por ter sido ferido por caçadores de baleias, enfurece-se e destrói todos eles. A baleia era imensa e repleta de arpões em seu corpo, sua mandíbula era torta em forma de um arco.
O tripulante Ahab, durante a primeira batalha, tinha fincado um arpão no dorso de Moby Dick, daí veio-lhe a vingativa idéia de arrancar a perna do capitão.
Sem dúvida, um livro intrigante e revolucionário para sua época, com descrições de difícil compreensão sobre as aventuras marítmas obscuras de Ismael.
Suas reflexões pessoais permeada entre trechos de não-ficção sobre assuntos relacionados aos trabalhadores do mar, métodos de caça às baleias, arpões, a profundidade da cor branca do cachalote, e detalhes sobre as embarcações e seus funcionamentos específicos, além da arte de armazenar e preservar produtos extraídos das baleias.
Herman Melville foi um marujo da marinha mercante. Os detalhes narrados com propriedade e muito realismo são capazes de transportar o leitor ao ambiente descrito e, suas sensações, trazem a tona uma confirmação: que o escritor viveu em barcos baleeiros e tinha muita experiência nesse ofício.
Portanto, o livro poderia ter sido um relato de aventura ou um testemunho. 
Moby Dick chegou aos lares norte-americanos na forma de desenho animado da Hanna-Barbera. No desenho, dois adolescentes: Tub e Tom são resgatados por Moby Dick após um naufrágio. Tornam-se amigos e ao lado do mascote Scooby, enfrentam os perigos e infortúnios do misterioso fundo do mar.
Esse desenho, de enorme sucesso entre crianças e jovens, foi exibido pelo canal CBS durante dois anos, a partir de 1967, sendo rapidamente espalhado por todo o ocidente. O que, de certa forma, deu mais popularidade a obra. Crianças, jovens e adultos que nunca leram o romance tinham a oportunidade do recurso televisivo, acompanhando uma série de aventuras adaptadas à obra.Também foi produzido um filme sobre o romance, dirigido por John Houston.
A obra Moby Dick, de Herman Melville, apesar de tratar de um tema específico, é abrangente no aspecto artístico e também contribuiu influenciando a música eletrônica de Richard Melville Hall, o 'Moby' em referência ao parentesco entre o autor da obra e o músico.
O Led Zeppelin, um ícone da história do rock, criou uma canção instrumental epônima, parte integrante do album/filme: ‘The Songs Remains the Same’, onde pode-se constatar e apreciar uma das maiores performances de John Bohan à bateria.

Fonte:
*Melville, Herman Moby Dick Editora: Penguin Classics, 2003
*Led Zeppelin: Moby Dick (Bonham, Jones, Page) – 12:47min: ‘The Songs Remains de Same’ (1976)
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Em Berlim: um muro, um povo

Faço uma retrospectiva das paixões, dos labores...
Mas, só me percebo agora, em tuas fotografias velhas
Nos desejos suprimidos, na vida cinza e infeliz, nos poucos amores
Enquanto sigo em frente, busco alternativas, consolações
Não temo o futuro, me acostumei com o presente
Meus olhos miraram muitos cadáveres conhecidos
Estão escuros de sangue quente numa velha face empalidecida
Mas, foram curiosos e transbordavam indignação diante aos suprimidos
13 de agosto de 1961, uma nova nação composta da mesma gente
Por decisão do governo socialista da Alemanha Oriental
Tem-se a construção de um muro fatal
Um planeta inteiro, etnias, continentes e economias
Divididas estão, nossa população e sua capital
Foi uma experiência comunista fracassada?
Quatro décadas de totalitarismo e lavagem cerebral
As cicatrizes estão no asfalto, no sistema e nas gerações
Outros tantos ansiosos, querendo deixar para trás
O leste trazia desengano, emprego, um lar e ordens do soberano
Alguém lhe tapeia?
Ou estás a tapear?
Dias de trabalho, linhas de produção num bom ou mal cotidiano?
O que são minhas noites, meus sonhos, minha paz, minha gente, mãos e calos são consolos?
Homens ao lado, não queiram atravessar, homens à frente fardados, transpô-los, nem adianta tentar
Precisava fluir outros rumos
Pular aquele muro, deixar esse local
Dizem-me ser de oportunidades
Isso me desperta interesse
O lado do sol ocidental
Aqui não tenho lucro, mas sou produtivo
Não reclamo, vivo ocupado, sou magro, tenho princípios
Sempre haverá fábricas, fazendas, mercados, ativos e passivos
Mas, do que valerá meu prazer com essas mulheres?
Alegrias supérfluas num céu opaco e sem filhos e posses por temer deixar o legado de minha miséria confiscada

O grito dos mortos ecoa naquele lugar, na linha tracejada
Cicatrizes nos tijolos e no asfalto me acenam
A diferença entre obedecer ou negar o sistema
Produção sem o lucro é meu fantasma nessa cidade
Uma vida desconsiderada pela busca da liberdade plena
Minha tenacidade me fez recuar tantas vezes
Mas, hoje boquiaberto
Vejo martelos, braços, picaretas derrubando concreto, quebrando tijolos
Cai o muro, surgem poemas e aplausos, um marco na história pela fronteira aberta bem à minha frente
Fluímos rumo ao desconhecido ocidente, o leste liberto desperta contente
O homem e sua vida ganhando escolhas?

*Muro de Berlim: 13 de agosto de 1961 - 9 de novembro de 1989.
As centenas de tentativas de fuga para o lado ocidental causaram a morte de 80 pessoas e 112 ficaram feridas de acordo com os números do governo alemão.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
No tempo em que aceitávamos as delícias preparadas

I
Teu prazer me entendia, trazia-me paz
Na colheita anual de 73, perdemos a inocência, fez-se trégua
Éramos fortes, avançávamos em nome da existência fugaz
Degustávamos tintos secos com procedência
Amávamo-nos entre estranhos, sob o sol, entregamo-nos em essência
II
Como fidalgos, sentávamos à mesa com decência
Entreolhando-nos, aceitávamos as delícias preparadas
Tudo nela nos pertencia, as provávamos e sorríamos
Bebíamos o sangue, a carne fria e as iguarias, comíamos
Espalhávamos discursos que uma palavra esgotar-nos-ia
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
No bar do Joaquim, com amigos beberiquei
Visitei a velha cidade empoeirada
Não era a mesma, abstraíra-se de mim
Cães famintos, transeuntes insanos, pedintes profanos
Todos me rodeavam, falastrões chafurdavam
Copo, deste lado, o término nunca existiu, enfim
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Fiz a lição, mas não houve correção

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Ponto de mutação (1992)

“Quando as portas da percepção forem abertas
veremos as coisas como elas realmente são: infinitas.”
(W. Blake)
- Direção: Bernt Capra
- Baseado em livro de Fritjof Capra (1982)
- Personagens: Uma cientista, um político (candidato a presidência dos EUA) e um poeta escritor.
Encontro das personagens: Monte São Michel, França (analogia do lugar escolhido com o pensamento do Século XVII).
Idéias, reflexões e proposições marcam os diálogos.
A personagem cientista é representada por uma mulher que passa por uma crise de identidade profissional, visto que suas experiências foram utilizadas para fins não pacíficos.
O político enfrenta conflitos pessoais por não ter sido eleito presidente dos EUA e, decide visitar o amigo poeta para, quem sabe, redescobrir o caminho do sucesso pessoal e profissional.
O poeta é platônico e possui uma visão holística do mundo. Procura em seus pontos de vista ser antagônico ao pensamento do político.
Ao se encontrarem, a cientista e o poeta, ambos ganham força e seus questionamentos junto ao político o fazem despertar para uma nova visão do mundo que herdaram e vivem.
Há possibilidade de ruptura do pensamento cartesiano, nesses diálogos entre as personagens, então, supõe-se que o paradigma dominante está sendo revisto e questionado.
Houve o período de apogeu e glória desta linha de ensino-aprendizagem e atualmente ela é nada mais que uma representação do passado incorporado no presente.
A visão contemporânea aperfeiçoada tende a romper com o pensamento medieval imposto a mais de trezentos anos.
Esse embrião do novo paradigma deve gerar novos meios e novos caminhos para a sociedade contemporânea, unindo conhecimento científico com experiência política e conhecimento empírico (como uma forma de visão platônica do mundo atual e futuro).
Então, unindo o conhecimento científico com o conhecimento empírico chegaremos a esse novo paradigma proposto.
Devemos manter uma tênue relação entre todos os elementos do Universo, analisar “O Todo” como um grande contexto a ser abordado agora e nas gerações futuras.
As questões do mundo intuitivo passam a ser uma necessidade atual, enquanto as questões mensuráveis pela ciência passam a ser o “velho paradigma”. Mas, ambas devem estar em harmonia plena.
No seu livro, Fritjof Capra questiona o papel do Homem como detentor das ciências e deixa claro que tudo é passível de análise e que há várias formas de entendimento e interpretação e que nem todos entendem a mesma coisa sobre determinado assunto ou teoria.
Como formadores de opinião conscientes do papel exercido para a formação de novas gerações de pensadores devemos nutrir debates, questionar, indagar e analisar as teorias antes de aceita-las plenamente.
Também devemos saber que o que não conseguimos explicar é devido somente à falta de conhecimento que temos sobre aquele determinado assunto.
No modelo Cartesiano de educação, fragmentamos os conteúdos e fragmentamos o conhecimento.
Há, portanto, uma especialização dos saberes em detrimento do conhecimento como um todo.
O discente aprende de forma isolada sem conseguir gerar uma ramificação das relações, das causas e dos efeitos das matérias estudadas.
Deveríamos ser educados para estarmos preparados e em equilibro para, antes de aceitarmos opiniões impostas, buscarmos entendê-las no contexto em que foram criadas e citadas.
Esse, portanto seria nosso “Ponto de mutação”.
A evolução de nossa visão holística sobre os seres, as filosofias e as coisas.
Agir de forma passiva e sem atitude diante de impasses ideológicos, didáticos, políticos ou educacionais, também não é a solução para os problemas que nos circundam.
O modelo da “indiferença plena” deve ser descartado.
Todavia, a busca incessante do conhecimento holístico como embasamento entre todos os elementos que regem o Universo, torna-se imprescindível para formação das novas sociedades.
Também deveríamos estar aptos a explanar nossas idéias de forma coerente clara e enfática e não-fundamentalista, sendo flexíveis quando a situação exigir esse comportamento.
A busca constante do conhecimento, ampliando os limites cognitivos de quem aprende como aluno sedento por conhecimento e de educador, apto a facilitar os mecanismos de ensino-aprendizagem.
A nossa mutação evolutiva formará um novo Homem, num novo planeta auto-sustentável.
Deste modo, cria-se uma interação mútua geradora de benefício a todos, trazendo crescimento cognitivo causador de produtividade dentro do contexto escolar e acadêmico, consequentemente, entendendo-se ao contexto social e político.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Quando me deparei com aquela tempestade em janeiro
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Há três dias a chuva cai e você está vivo

Não sou conselheiro
Nem escravo do dinheiro
Mas, se puder ouvir, vou lhe dizer:
É divertido estar vivo! Pode crer!
É sedutor flertar com o fogo
Mas, o que alimenta as chamas?
Os corpos?
Meu ego, seus dramas?
Isso então me mostra como é perigoso amadurecer
Serve-me como lição
Mantendo-se fiel aos princípios
Sendo prudente, sem perder a razão
Vou queimar-me sem parar, para todo sempre
E sempre, numa visão romanceada da verdade
De que é melhor
Estar vivo do que morto
Absorto, vejo um pássaro amarelo
Que canta e voa sem preocupação
Eu, incomodado, em minha casa atrás da janela
Ouço a chuva há três dias
E o pássaro, indiferente, voa e canta sob ela





Acervo: Marcio R. de Medeiros





