sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Miguelópolis Revisited




Há tempos perdemos a intimidade
Dessa cidade, conheço as ruas a dedo
Carrego comigo, seus medos, seu pó nas narinas
E da infância, reminiscências e alvitres nas retinas

Sinto falta da bicicleta, do Rio Grande, da bola e do rolimã
Do campinho do Sílvio, da Cohab, da casa 115
Frutas da época: carambola, goiaba vermelha, manga e romã
Saí muito jovem, ainda tinha a mente sã

A Matriz está lá, as velhas e seus escapulários
Defronte ao Bar do Joaquim, sem as árvores, o Santuário
Sua fonte e nos seus bancos ainda sentam corruptos e salafrários
Onde os jovens se encontram e verbalizam sem horário nem dicionário

O Estádio Waldemar de Freitas e suas falhas na grama
A esquina da Nenê não tem mais o pé de boldo nem a roseira
Poucos amigos restaram, besteira
Sou saudosista, que pieguice
Na Socremi, encontrava-me com a Inês, a Fernanda e a Clarisse

Passando pelas ruas retas e largas, olho para o céu a caminho da Marcenaria do Miguel
Ainda desvio dos ciclistas, dos cachorros e das carroças vou escapando
Logo ali, depois da Radio Vale, pelo Cartório do Sr Didi, passo acenando
Lá, algumas coisas nunca mudam, de rostos e lugares vou lembrando...
A loja da Dona Célia, a sorveteria do Florisvaldo, a Casa São José e o Bar do Zé Fernando

Estão todos imunes ao tempo, para minha saudade contemplar
Amigos de infância, fatos, mitos e insights em reentrâncias
Em verdade, com sinceridade, escute-me, vou falar:
Tenho corpo e labor em outro lugar
Mas, foi lá que meu coração nunca deixou de habitar

domingo, 8 de novembro de 2009

Zé-do-Burro, o pagador de promessas




Vi tudo de longe, pela grande tela

Zé-do-Burro, faca em punho, avança pelas escadas velhas

Pelo sacro-dever, o padre o impede, a promessa não se cumprirá

O delegado antecipa-o, quem lhe desafiará?

O povo lhe defende, surge uma onda humana

Na confusão ouviu-se um tiro, uma consternação

No meio da multidão, olhei para o lado, doía-me o coração

Estouro de boiada, corre-corre, dispersão

Na porta da igreja escolhida, Zé-do-Burro, jaz ao chão

Rosa grita, um choro em explosão

Lá vem o padre, sinal da cruz

Encomenda da alma do pobre moribundo sertanejo

Rosa o afasta, com olhar de desprezo

O Mestre Coca, capoeirista, faz gesto preciso aos companheiros

Inclinam-se sobre o corpo estendido na ladeira

Fixam-no na cruz da promessa vã

Numa nobre homenagem derradeira

Carregam-no assim, como um crucificado

O padre recua sobre os degraus ensanguentados

Avançam-no, pela entrada principal

Arrombam a porta, dirigem-se ao altar, numa entrada triunfal

Termina a peregrinação, cumpre-se a promessa ao burro Nicolau



*O Pagador de Promessas é um filme brasileiro de 1962, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, dirigido por Anselmo Duarte (Salto, 21 de abril de 1920 - São Paulo, 7 de novembro de 2009), baseado na peça teatral de Dias Gomes.

*A Anselmo Duarte e sua obra-prima, minha homenagem póstuma em forma de prosa-poética.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss, não entristeça nossos trópicos



As alianças são mais importantes

Para a estrutura social

Que laços de sangue seletos?

Culturas são como sistemas de signos

São partilhados e estruturados por finos princípios

Que estabelecem o funcionamento do intelecto


Existem regras estruturantes

Sobre as culturas, na mente humana

E estas regras raízes

Constroem pares de oposição

Organizam todo o sentido, corrigem a direção

Aprendi isso, num livro de viagem

Repleto de passagens duras

Onde o Lévi-Strauss fez investigações puras


Interessado pelas filosóficas e verdes paragens

Com o único objetivo do conhecimento pleno, das linguagens

Indagações pessoais desse paladino estrangeiro

Antropólogo que aqui veio, sorrateiro

Sobre o status de mestre

Analisou nossas tribos, nossa cultura em formação

Fotografou a urbanidade de São Paulo em construção

Entre o Velho e o Novo Mundo, uma lágrima no coração

Concepções de progresso e de civilização

Nessas plagas, tristes trópicos, nosso povo em expansão





*Claude Lévi-Strauss (Bruxelas, 28 de novembro de 1908 - Paris, 31 de outubro de 2009)



domingo, 1 de novembro de 2009

Sobre a “Felicidade clandestina” de Clarice Lispector





A personagem central desse conto de Clarice Lispector, narra uma história que ocorreu em sua infância em Recife, Pernambuco.


Era amante da leitura desde tenra idade.

Mas, a situação financeira de sua família impedia-lhe de comprar os livros que desejavas.


Havia, outra garota, descrita como: baixa, gorda, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, que possuía o que uma criança devoradora de livros mais sonhava: seu pai era dono de uma livraria.

Todavia, a colega não valorizava o hábito da leitura e, pior, sentia-se inferior às outras coleguinhas de escola e bairro, sobretudo à narradora.


Certo dia, a filha do comerciante de livros, com enorme talento para a crueldade, informou à jovem que possuía um exemplar de Monteiro Lobato: O clássico: “As Reinações de Narizinho”.

A protagonista, então, passou a confabular consigo, imaginando-o em seus braços, o toque e o folhear das páginas, viver com ele, comê-lo e dormir ao seu lado.

Mas, ele estava muito acima de suas posses.


- É só pegá-lo em casa, te empresto, afirmava num cinismo juvenil, chupando balas fazendo barulho.


A jovem passou, a sonhar com a real possibilidade de tê-lo, mesmo que brevemente, por meio de um empréstimo.

Envolta em enorme ingenuidade, a menina rotineiramente passava na casa e o livro sempre estava indisponível, sob a alegação de que a garota chegara atrasada ou passara em hora errada e já havia emprestado-o a outra garota.


E esse suplício durou um bom tempo.

Até que, certo dia, a mãe da cruel colega, achando estranho aquelas visitas constantes em sua casa, interveio na conversa das duas e percebeu a atitude sádica da filha.


Houve uma “confusão silenciosa”; a mãe, estarrecida, descobriu a filha que tinha.

Uma jovem com perversidade em potencial.

Refazendo-se do choque, ordenou a filha que buscasse o exemplar de Lobato que nunca saíra de lá.

Sem pestanejar, num ato de corrigir um erro moral familiar, emprestou o livro à garota sonhadora.

E disse que seria: - Pelo tempo que desejasse.


A jovem, de súbito, passa a nutrir uma “felicidade clandestina” nunca antes provada ou sentida.

Tendo-o em posse, fez questão de esquecê-lo.

Chegando em casa, foi se alimentar, usava o tempo, ignorava-o.

Fingia que não o tinha.

Criava a “surpresa” de achá-lo, para que a tal, felicidade clandestina se eternizasse continuadamente durante o arrastar dos ponteiros.

Aquele gesto lhe trazia orgulho e pudor.

Às vezes, sentava-se na rede com ele no colo, abrindo-o e abstendo-se de tocá-lo.

Sentia êxtase puro.

Não era mais uma menina com um livro, era uma mulher com seu amante.





*Lispector, Clarice “Felicidade Clandestina” Rio de Janeiro: Ed. Francisco Alves 1996

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os versos mentem, os olhos acreditam e o coração sente


*Hoje, 20 de outubro, comemora-se o Dia do poeta.

Presto minha homenagem a todos que se sentem nessa condição.




Para cada ser solitário

Uma solidão única

Para cada verso

Interpretações abundam


Felizmente

Refletidos nas retinas

O poeta, infeliz, os mente

Mente uma angústia pressentida


Dou-te meus versos, aprecie-os

Mostre-os a quem quiser vê-los

Faça-os e entrega-os de novo

A outros tantos olhos nus


Acenda a baixa luz

Dê-me as relíquias

Desça ao porão

Enquanto todos dormem

Quantas mãos o tocarão?

domingo, 11 de outubro de 2009

Sobre: “A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector






Clarice Lispector transmite ao leitor de “A Paixão segundo G.H.” romance existencialista publicado pela primeira vez em 1964, as intranquilidades espirituais e os dilemas emocionais da personagem G.H.

A primeira vista, uma mulher discernida e bem sucedida na profissão e nas relações sociais, mas que anseia encontrar a auto-identidade e, nas profundezas de seu apartamento classe média-alta carioca, parte em busca do conhecimento interior.

Vagando só em seu recolhimento urbano, chega ao pequeno quarto da empregada, que naquele dia, se encontrava “quase vazio”.


Depara-se diante de uma repugnante e nojenta barata.

Uma observa a outra, G.H. observa a outra e a si.

Desencadeia-se, de súbito, em G.H., toda uma sequência de fatos conexos, levando-a à refletir sobre o sentido de sua existência e dos seres ao seu redor.

A sua pior descoberta experimenta diante da barata viva:


"A de que o mundo não é humano. E ninguém é humano o bastante".


Esse “fluxo de consciência” é a essência que dá forma ao romance introspectivo, criado por Clarice.

À medida que surgem, na cabeça da personagem, os pensamentos são materializados numa escrita baseada no estudo da consciência, uma viagem ao âmago, que traz à tona a plena crise individual de uma senhora de meia-idade.

Não há uma estória com inicio, meio e fim.

A narrativa se inicia num momento qualquer, enquanto a personagem, numa aflição subentendida, tecla compulsivamente várias vezes uma letra em sua máquina de escrever.

A atmosfera de instabilidade emocional retratada nas páginas do romance é o grande atrativo da obra.

Ele dever ser sentido. Não há como lê-lo.


As aflições devem ser perspicazmente percebidas pelo leitor a cada virada de página.

De seu apartamento, ultimo andar de um edifício de 13; G.H., depara-se com a corrosiva rotina e resolve então, adentrar-se ao quarto da empregada que acabara de demitir.

Há meses não ia até aquele pequeno cômodo serviçal.


Eis que, ao “invadi-lo”, também se “invade”.

E nessa, “incursão à alma” vê-se num enorme vazio interior.

Avista uma solitária barata deixando o armário e tem-se então, um momento de manifestação dos sentidos primitivos, imaginando ser necessário “voltar às origens” para resgatar a felicidade plena, sem vícios ou cinismos.


Deveria interagir, tocar e provar a barata para irromper sua solidão mascarada, seu mundo alienado e asséptico e assim, re-descobrir sozinha, o caminho.

O caminho através da náusea.

O momento que antecede a “revelação da busca interior” traz náusea violenta do enorme fardo de angustia que se instalara na mente da personagem.

A dolorosa sensação da fragilidade da condição humana, a dúvida e a incerteza das escolhas e dos caminhos percorridos e a percorrer, de certa forma, geram no leitor o desenvolvimento do senso crítico e os modos de aceitar suas falhas e dominar seus medos e incertezas quanto à sombra do passado escurecendo o futuro.

E, só assim, surge a “epifania”, o regozijo pleno da revelação.

"(...) porque não és nem frio nem quente, porque és morno, eu te vomitarei da minha boca, era Apocalipse Segundo São João, e a frase que devia se referir a outras coisas das quais eu já não me lembrava mais, a frase me veio do fundo da memória...”

*Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920.

Morreu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes do seu 57° aniversário.

domingo, 4 de outubro de 2009

Sobre a obra máxima de Cervantes














O livro Dom Quixote de La Mancha, escrito por Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616), iniciado em 1602, pode ser considerada a melhor literatura de ficção de todos os tempos.


Composta de 126 capítulos de loucuras, amizades, sabedoria e encantamentos, são divididas em duas partes: a primeira surgida em 1605 e a outra em 1615.

A obra se baseia numa sátira às histórias de cavaleiros, muito em voga naqueles tempos.


Dom Quixote, depois de uma caçada, sentiu-se extremamente fadigado e moribundo.

Clama por ajuda e é atendido rapidamente.

Levam-no ao seu leito.

O cavaleiro, de súbito, percebe a presença da morte.

Magérrimo por toda sua existência terrena, sempre dispôs de saúde suficiente para aventurar-se pelo mundo quando bem entendera.

Vivia junto a agregados num brejo seco em ‘La Mancha’ e passara seus dias inúteis lendo os feitos dos heróis de cavalaria.

Venerava-os e os tinha como ídolos e exemplos de vida profícua.


Mas um dia, de tanta leitura, seus miolos se entupiram.

Afinal, muitas lendas povoavam sua mente senil.

Um médico foi chamado e a recomendação foi à busca da salvação da alma, porque o corpo iria sucumbir brevemente.


A personagem, Amadis de Gaula, o espadachim fantástico, até então idolatrado por Quixote, passou a ser por ele odiado.

Coisas estranhas aconteciam na mente daquele enfermo homem.

Mas, num lapso de serenidade pôs-se a esperar pela morte.

Queria se livrar dos fantasmas literários que nutriam seus pensamentos doentios.

Subitamente algo ocorreu...


Com berros enfáticos, o velho Dom Quixote disse ter restaurado plenamente o juízo, livrara-se das malditas leituras que fizera sobre os feitos dos cavaleiros por toda sua vida e ordenou que pusessem uma sela em seu ordinário cavalo, Rocinante, calçou suas velhas botas e armou-se como seus antepassados: um escudo enferrujado e uma lança torta e, num ímpeto, partiu em busca de aventuras em terras castelhanas que lhe trouxessem renome e glória.

Suas andanças foram ricas em intempéries e impasses fortuitos.

Fantasiou o amor por uma dama ilusória, Dulcinéia Del Tomboso, e nutriu amizade fraterna com o camponês gorducho Sancho Pança.


“Esta que vês de rosto amondongado,

Alta de peitos, e ademã brioso

É Dulcinéia, rainha Del Tomboso,

De quem esteve o grão Quixote enamorado...” (pag. 339)


Sua grande frustração era com sua contemporaneidade.

Dizia que a invenção da pólvora estragou tudo.

Acabou-se com os nobres cavaleiros, que, ao ouvirem um disparo, fugiam rapidamente com suas lanças a balançar para o horizonte.

Em seu livro, Cervantes usa um pragmatismo crítico, do escudeiro que revela um conhecimento do mundo distante dos questionamentos e indagações do cavaleiro sobre a existência terrena, a morte e os dogmas sagrados.

Ambos carregam consigo, um conhecimento filosófico empírico e juntos esses conhecimentos se interagem e se completam.


“Tiram as almas dos eixos, as grandes forças do amor, são os cuidados do ócio, seu instrumento melhor.” (pag. 551)


Com uma visão cética, porém concisa, o escudeiro não procura respostas, já as tem pela experiência de vida.

Domina o tempo e não tem medo de enfrentar a tão temida morte.

Sancho Pança sabe transitar entre o mundo da taverna, das brigas, da morte e das agruras mundanas, sublimada empiricamente e recheada de filosofia existencialista em que se encontra o romântico cavaleiro.


"(...) Aqui jaz quem teve a sorte

De ser tão valente e forte

Que o seu cantor alegrou

Que a morte não triunfou..."

(pag.677)



*Meu exemplar: Editora Nova Cultural, São Paulo: 2002

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre um "Encontro Marcado" com Fernando Sabino



Fernando Sabino presenteou seus leitores em 1956 com a publicação do que é considerada sua obra prima, o romance intitulado: “O encontro marcado”.


Uma narrativa urbana que nos faz caminhar pelas ruas de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro em meados do século XX, conhecendo seus moradores célebres, anônimos e os que, de alguma forma, marcaram essas cidades.


A repercussão do romance foi a melhor possível, tornando-se o livro preferido de muitos brasileiros que, nas aflições da juventude, liam e se identificavam com os dramas existenciais narrados de forma perspicaz pelo escritor mineiro. Desde aquela época, até os dias de hoje.


“O encontro marcado” é um típico romance de geração, e basicamente gira em torno dos problemas juvenis de suas personagens: os amores, o álcool, os dramas, a faculdade, escolha da profissão, a saída da casa dos pais e a mudança para a metrópole, a capital federal, na época, o Rio de Janeiro.


Vivenciado na década de quarenta, tem como protagonista Eduardo Marciano, alter ego do escritor.

Seus comparsas de toda vida: Hugo e Mauro correspondem a Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino, respectivamente.

Antonieta, filha do ministro, namorada e posteriormente esposa de Eduardo, é Helena Valladares.

Toledo, um dos personagens mais importantes da história, “guia intelectual” de Eduardo por longo período é Guilhermino César.


A ênfase da narrativa parte do pressuposto que, a procura intensa do sentido da vida por Eduardo Marciano trilha um caminho incerto, transitando pelas inquietações ideológicas e políticas para as ansiedades características dos jovens da época.

Essa busca da satisfação sexual plena, da felicidade, da auto-afirmação por meio da escrita e do esporte, no caso a natação, e pela enorme ânsia de encontrar respostas sobre a existência de Deus geram um enredo que envolve o leitor do início ao final da obra.


Todos esses elementos se tornam a marca registrada da personagem até as últimas páginas do romance e constata-se, mesmo diante de expectativas e experiências mal resolvidas, a contínua busca pessoal com o auxílio de amigos, livros, amantes e garçons, e conclui-se que, o sofrimento sempre lhe trouxe aprimoramento e ponderação e, por conseguinte, lhe abriu novas perspectivas e novos entendimentos gradativamente, em relação aos valores humanos e suas relações superficiais ou aprofundadas.


Suas experiências amorosas e profissionais sempre lhe causaram excitação e entusiasmo, num primeiro momento, mas às dúvidas e a rotina lhe trouxeram decepções constantes.

Optou então, em seguir a carreira única de escritor.


O ponto alto da personagem é esse empenho em desafios constantes e um inconformismo inerente ao ser: Eduardo Marciano/Fernando Sabino, que se confundem e se unem nas linhas da narrativa.

A obra ganhou edições no exterior, e foi adaptada para o teatro.

Reflexões de um velho ourives sobre a solidão, os versos e os pássaros





Nogueira sentiu um vazio

Tomou-se por triste

Naquele dia frio

Absorto, abriu um livro nunca lido

Observou suas páginas preenchidas

Que o poeta, outrora

Viveu a sina do escritor

Escrevia porque era só

E preenchia seu estado ermo

Com caneta e esplendor



Tia Augusta dizia-me na cidade

“Feliz é quem mora no campo”

Não se ensoberbece

Vive-se mais, com sanidade

Esperteza e destreza

Desenvolvem-se habilidades

Aprende-se a ler as estações

Sabidos são o vento e a chuva

Com seus raios e trovões

Como árvores que entregam frutos

Na época esperada

Nunca falham, são precisas

Generosas por natureza

Cedem galhos com carinho

Aos pássaros, vários deles

Seus ovos, suas cores

E seus ninhos

Flores, frutos e pinhos



As flores dão-nos perfumes

Sem pedirmos-lhes nada

Alusão da vida

Mistérios do Criador

Assim como a dor

Que nos vem de graça

Oscilante, inebriante

Borboletas em revoada

Passam como astros no universo

Em pensamento, olho tudo

Pelo tempo, me disperso

Nasci rude, obtuso, mas correto



Aves não deixam rastro

Na minha idade já não corro

Atrás do ouro, diamantes

Pedras preciosas, roupas caras

Carros e mulheres degradantes

Ociosas são minhas mãos

No momento, oscilação

Nem tento mais

Pois, tremo demais

Já cumpri minha missão

Siga os passos que deixei

Pense nas coisas que procurei

E, não querendo achar

Me encontrei

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Teoria da conspiração: o ataque de 11/09 foi planejado pelo governo dos EUA?







Hoje, o mundo ocidental está de luto.

Há oito anos, o WTC em New York sofria ataques de terroristas islâmicos.

A partir de então, muitas teorias conspiratórias relativas a esses ataques em 11 de setembro de 2001 foram criadas.

Algumas delas afirmam que o próprio presidente George W. Bush sabia de antemão sobre os atentados e propositalmente permitiu que ocorressem, pois iriam gerar um maior apoio público para militarização e outras políticas externas e internas pela qual ele próprio seria beneficiado.
Essa teoria envolve o ex Secretário da Defesa Donald Rumsfeld, o vice-presidente Dick Cheney e várias outras figuras do governo Bush.


Um relatório produzido em 1990 afirma que "alguns eventos catastróficos, como um novo Pearl Harbor" seriam necessários para converter a opinião pública em favor do presidente.

As investigações de orgãos governamentais norte americanos e britânicos, amparados por uma mega-operação do FBI, a maior da história com mais de 7.000 agentes envolvidos, concluiram que Al-Qaeda e Osama bin Laden tinham responsabilidade dos atentados.

  • O apoio militar a Israel seria causa relevante para a motivação dos ataques.
  • A ocupação militar da península arábica também é fato relevante apontado nas investigações.
  • Agressão contra o povo do Iraque. Os EUA, outrora aliados dos iraquianos na guerra contra o Irã na década de 80, agora são vistos como seus “grandes inimigos”.

As perdas humanas no fatídico 11/09/01 foram elevadas: 265 nos aviões; pelo menos 2752 pessoas, incluindo 242 bombeiros, no World Trade Center e 125 no Pentágono. No total, 3234 pessoas faleceram naquela manhã.

Os adeptos dessa “teoria da conspiração” usam o fato da área de impacto feita no Pentágono ser relativamente pequena e por supostamente não constar no seu perímetro a existência das asas do avião. Fato facilmente desmentido quando analisada as centenas de imagens do local do choque, onde constam centenas de fragmentos da aeronave.

Entretanto, algumas testemunhas afirmam que ocorreram duas explosões e não viram o choque de nenhum avião. Enquanto centenas de outras afirmam terem visto o avião mergulhar contra o edifício.

O quarto avião seqüestrado teria sido derrubado propositalmente pelos terroristas que estavam em seu comando, quando deram-se conta de que não resistiriam a uma rebelião organizada pelos passageiros. Essa aeronave caiu em um campo próximo a Shanksville no estado da Pensilvânia.

Para alguns, permanece o questionamento do suposto fato de que não foi encontrado nenhum corpo ou partes deles.

Os conspiradores afirmam que um médico legista, jamais identificado e que esteve no local da queda afirmou:"Apenas observei um monte de metal calcinado como se tivesse sido jogado do ar no local e policiais de um lado para o outro, mas nem um corpo…"


Fontes: Wikipédia, clesio.net e acidezmental.com.br

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Outros eus profundos





I

Já dizia Pessoa:
“O poeta é um fingidor”
Mente e finge tamanha dor
Em palavra, verso desolador



II

Eu tento compor lamentos
Falo de agruras, dores
Sofrimentos
Mas não minto, incremento



III

Quem os ler senti-los-ão
Cada qual se presume, celebração
Inefável e incólume sensação
Pois, os versos aqui compostos



IV

Não confirmo, sabe-se lá
Com quem se identificarão os opostos
Os mitos por mim descritos
São nada e tudo, infinitos...


*Dedicado ao poeta lusitano Fernando Pessoa
(1888-1935, Lisboa)

Poeta errante





No melhor lugar do mundo


Não posso domiciliar; solitário carrego versos, devaneios


A estrada é meu lugar

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Dizem que ele sumiu...




35 anos de carreira, aproximadamente 50 discos lançados e uma intensa agenda de shows. Belchior construiu, ao longo da carreira uma obra que é tema até de estudos acadêmicos:



“Em 287 páginas, eu analiso toda a obra do Belchior”, afirma a professora Josy Teixeira, da Universidade Estadual do Ceará.


E, de repente, amigos, parceiros e a família perguntam:

Onde está Belchior?

“Para a família, ele está sumido desde 2007, há dois anos”, afirma Leonardo Scatolini, advogado da ex-mulher do cantor.

Mas, há tempos atrás, o artista presenteou a cidade de Miguelópolis, no estado de São Paulo, com um show cheio de energia e clássicas canções de seu vasto repertório.

Simpaticamente, após o show, recebeu fãs no camarim e autografou cds.

Hoje: “tem gente que diz que ele está na Holanda, tem gente que diz que ele está em São Paulo”, afirma um fã.






FONTE: G1.globo.noticias.musica

sábado, 22 de agosto de 2009

Fragmentos do poeta







Temos bons livros, fique tranquila


Poetas não escrevem, trabalham duro, fazem arte


Há versos por toda parte...